Internacional

Exército do Paquistão ataca reduto do Taleban


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Islamabad - Forças de segurança do Paquistão lançaram ontem uma ofensiva por terra contra militantes do Taleban no Waziristão do Sul, área na porosa fronteira com o Afeganistão, que é um bastião do grupo islâmico. A operação começou após uma série de atentados atribuídos aos militantes, iniciada em 5 de outubro com a explosão num escritório da ONU em Islamabad e incluiu atentados a prédios do Exército e da polícia, com mais de 150 mortos.

As tropas chegaram à região ainda na madrugada de ontem por diferentes direções para tomar as bases insurgentes de Ladha e Makeen, entre outros alvos, segundo fontes militares e de inteligência. Elas afirmaram ainda, sob condição de anonimato, que a expectativa é que a operação dure cerca de dois meses.O Exército informou em um comunicado que, até agora, quatro soldados paquistaneses morreram e outros 12 ficaram feridos em confrontos com os radicais. Ao menos 11 supostos insurgentes foram mortos, segundo emissoras de TV.

Um toque de recolher foi imposto em algumas áreas do Waziristão do Sul, de onde já fugiram aproximadamente 150 mil civis desde o início de agosto, de acordo com a ONU, que disse estar preparando-se para ajudar a população que deixar a área - estima-se que 350 mil pessoas morem ali.

A ofensiva estava sendo preparada desde junho, embora o governo se negasse a especificar quando ela teria início. A ação se segue a meses de ataques aéreos que tinham o objetivo de enfraquecer as defesas dos militantes. Um desses ataques - que foram feitos por aviões não tripulados dos EUA - matou o líder do Taleban paquistanês, Baitullah Mehsud. Depois de semanas de disputas internas, Hakimullah Mehsud assumiu a liderança do grupo e prometeu responder a qualquer ofensiva militar.

Êxodo

Cerca de 28 mil soldados participam da ofensiva contra estimados 10 mil membros do Taleban e da Al-Qaeda, que transferiram-se para o noroeste do Paquistão após 2001, quando o Taleban foi retirado do poder no Afeganistão pelas tropas lideradas pelos EUA. No início do ano, com anuência do governo para imporem a lei islâmica em algumas áreas, eles avançaram a cerca de 100 km de Islamabad, aumentando o temor sobre a estabilidade do Paquistão - que possui arsenal nuclear e é aliado dos EUA na luta contra o terror na região.

Mas, com o naufrágio do pacto, uma ofensiva militar no vale do Swat (a nordeste da capital) diminui as preocupações de Washington sobre o comprometimento paquistanês em combater a insurgência. Em sinal de apoio, o presidente americano, Barack Obama, assinou na última quinta-feira uma lei que prevê o envio de US$ 7,5 bilhões de ajuda ao Paquistão nos próximos cinco anos. O Pentágono estaria se preparando para entregar ao país os equipamentos militares solicitados na luta contra os insurgentes.

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