Após a assinatura no último sábado do decreto de utilidade pública do prédio da estação ferroviária como primeiro passo para a formalização da compra do imóvel para instalação do Executivo e Legislativo, os vereadores cobraram ontem do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) projeto de revitalização para a região central da cidade. O assunto dominou a primeira parte da sessão da Câmara e atiçou até desentendimentos entre parlamentares.
“O prefeito deve começar a tomar providências em relação à estação ferroviária, que deve ser pensada dentro de um projeto integrado de revitalização, que atraia investidores e novamente moradores para a região. Mas para isso a prefeitura tem que oferecer planejamento. Rodrigo deve chamar as construtoras, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) - regional Bauru, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), empresários, e debruçar-se sobre essa questão o mais rápido possível”, afirmou José Roberto Segalla (DEM).
O chefe do Executivo e o presidente da Casa de Leis, Pastor Luiz Carlos Barbosa (PTB), acertaram, no mês passado, a compra da antiga estação ferroviária, para funcionamento dos dois poderes. Para viabilizar a compra do prédio, avaliado pela Caixa Econômica Federal (CEF) em R$ 6,3 milhões, o Legislativo reduziu investimento de sua parte em cerca de R$ 3,5 milhões previstos no Orçamento de 2010. A administração também se comprometeu em realizar a reforma básica do imóvel, com atualização elétrica, hidráulica e de estruturais principais. A manobra contou com aprovação de 12 vereadores, que assinaram emenda autorizando o gasto.
“A compra do prédio não foi um ato isolado da presidência da Câmara. Teve anuência da maioria dos parlamentares. Mas, a partir de agora, temos que trabalhar firme porque senão as coisas não acontecem em Bauru. Temos vários casos na cidade. Por isso, cobrei do prefeito no último sábado, dia da assinatura do decreto, para que a Câmara mude já no próximo ano”, disse o petebista.
Para o líder do prefeito, Renato Purini (PMDB), o valor que a Prefeitura e a Câmara farão no prédio não é considerado despesa. Segundo ele, a prefeitura irá desativar a rua que passa em frente à estação para que a praça Machado de Mello seja unida ao prédio. Além disso, há informações de que o Grupo Marca estaria intermediando a compra de uma área que fica ao lado da estação, ao longo da avenida Pedro de Toledo até os limites da rua Sete de Setembro, também de posse do Sindicato dos Ferroviários, para construção de empreendimento imobiliário.
A possível construção deve ser feita sem prejudicar a preservação do patrimônio histórico. Já nesta semana, segundo Roque Ferreira (PT), irá consertar as calçadas que margeiam o terreno. Outra novidade é que a Secretaria Municipal de Obras poderá dar continuidade à avenida Rodrigues Alves, passando pelo local, até a Vila Falcão. “Com certeza a região central será revitalizada e uma nova Bauru nascerá naquele lugar”, afirmou Purini.
Discórdia
Os tucanos Fernando Mantovani e Gilberto dos Santos, o Giba, voltaram atrás e pediram ontem a retirada de seus nomes da emenda proposta pelo colega de bancada, Marcelo Borges, que pediu a supressão dos R$ 5 milhões previstos no Orçamento de 2010 para a construção de um novo prédio do Legislativo.
Pastor Luiz ao usar a tribuna também solicitou que a emenda supressiva fosse retirada, uma vez que prevaleceu a decisão da maioria e o prédio da estação será comprado em parceria com a administração municipal. À contragosto, Borges afirmou que iria retirar a proposta. Chiara Ranieri (DEM), que também assinou a emenda, defendeu sua posição contrária à compra do prédio.