Durante fórum que reuniu todos os atores responsáveis pela saúde pública de Bauru, a população pôde debater junto às autoridades as soluções para os principais problemas que atingem o município nesta área. O encontro, realizado pelo terceiro ano consecutivo pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) da 21ª. Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), tem o objetivo de mobilizar as diversas esferas sociais para que as dificuldades crônicas que atingem a população quanto ao atendimento gratuito de saúde sejam, se não superadas, ao menos reduzidas.
No evento, o advogado Gilberto Truíjo, coordenador da CDH, apresentou uma pauta de reivindicações que deverá ser enviada nos próximos dias ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP), Prefeitura Municipal e instituições públicas de saúde de Bauru. Entre as principais solicitações, o documento pedia maior agilidade no atendimento de urgência e emergência no Pronto-Socorro Central (PSC) e Bela Vista, além de rapidez no encaminhamento dos pacientes que precisam de vagas para internação no Hospital de Base (HB) e Hospital Estadual (HE) de Bauru.
“Teve um caso que chegou até nós de um paciente que ficou 15 dias no corredor do PSC esperando para ser internado. Isso não pode ocorrer, mas é um problema que vem acontecendo há muito tempo em Bauru. Nosso papel é cobrar uma solução por parte das autoridades, como sempre temos feito”, comenta Truíjo.
Ele destaca que outra reivindicação constante no documento, a de maior número de leitos no HE para os pacientes moradores de Bauru, está intimamente relacionada a este entrave. “Como grande parte das vagas de internação é destinada à população da região, o atendimento acaba ficando deficiente para quem vive na cidade”, completa.
Na regional Bauru do MP, “os nós mais apertados” da saúde também se referem às deficiências no atendimento prestado pelo município (PSC) e pelo Estado (HE e HB), segundo aponta o promotor de Cidadania e Patrimônio Público Fernando Masseli Helene.
“As principais reclamações se referem ao atendimento no Pronto-Socorro, à necessidade de mais leitos hospitalares e contratação de mais médicos e enfermeiros e à paralisação do atendimento de radioterapia na cidade”, enumera.
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Mobilização
Para o promotor Fernando Masseli Helene, além de atender diretamente a população em suas necessidades mais imediatas, o Ministério Público (MP) tem a obrigação de contribuir para o debate que busca melhoria na qualidade do sistema público de saúde. “Acredito que grandes decisões podem sair de reuniões como esta. Essa mobilização, onde todos podem contribuir, certamente pode ajudar a melhorar as condições da saúde pública da nossa cidade”, frisa.
A diretora do Departamento de Unidades Ambulatoriais da Secretaria Municipal de Saúde, Maria Lígia Gerdullo Pin, lembra que o modelo de gestão pública de saúde em Bauru permaneceu durante 20 anos sem grandes alterações e esta postura precisa ser mudada. Segundo ela, a reestruturação da rede básica, que já faz parte dos planos da pasta para os próximos anos, poderá melhorar a qualidade da rede de saúde do município.
“Esperamos que as propostas e demandas apresentadas durante o fórum, assim como as discussões levantadas, possam ajudar na reorganização deste modelo de assistência que a cidade possui”, destaca, frisando que somente a criação de novas unidades de pronto-atendimento, também programada pela secretaria, será capaz de desafogar a prestação do serviço no PSC.
O debate, ontem, foi mediado pelo professor Gerson Trevisani, o Duda, e contou com a participação de representantes da OAB-Bauru, Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Hospital Estadual Bauru, Hospital de Base, Pronto-Socorro Municipal, Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6), Ministério Público e da própria CDH.
Além da agilidade no atendimento de urgência e emergência e no encaminhamento de pacientes para internação, foram discutidos temas como a necessidade de retomada do atendimento em radioterapia no Hospital Manoel de Abreu, contratação de maior número de profissionais de saúde e importância de a população bauruense receber prioridade no atendimento prestado pelo Ambulatório Médico de Especialidades (AME). De acordo com Truíjo, os debates suscitados durante o fórum ainda serão retomados em reuniões ordinárias da comissão, ainda hoje e nas próximas semanas.