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Noroeste: Vítor Hugo é demitido por Damião e promete denunciar irregularidades

Por Ricardo Santana | Com Marcelo Ferrazoli e Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 9 min

Confirmando o que já se esperava desde a semana passada, o presidente do Noroeste, Damião Garcia, demitiu ontem, por telefone, o diretor de futebol Vítor Hugo. “Eu dispensei o Vítor Hugo”, enfatizou Damião. Além disso, o surgimento de um dossiê que apontaria possíveis irregularidades administrativo-financeiras no clube, entregue por “Vitão” ao mandatário noroestino, na última sexta-feira, durante a visita do presidente a Bauru, já fazem fervilhar os bastidores da “Maquininha Vermelha”.

Ao comentar o dossiê entregue pelo ex-diretor de futebol, seo Damião nitidamente mudou o tom de voz. “O Vítor Hugo está querendo criar caso. Não adianta nada disso”, enfatizou. Na seqüência, o presidente foi taxativo em relação à sua definição de demitir Vítor. “Ele falou para o Marques (Manoel Marques, do departamento financeiro) que ele (Vítor Hugo) não vai sair. Mas como não vai sair?”, frisou Damião.

Em seguida o presidente, exaltado disse: “A advogada dele não manda no Noroeste. Quem manda no Noroeste sou eu. E eu não quero mais ele lá. Pronto. Pode publicar isso amanhã (hoje). Imagine se a advogada vai mandar no Noroeste. Tenho no Noroeste quem eu quiser. Dispenso jogador, técnico.”

Ontem, Vítor trabalhava normalmente no clube. Porém, à tarde, foi comunicado pelo presidente, por telefone, de sua demissão. “Merecia um pouco mais de respeito. Ele simplesmente me disse ‘pegue suas coisas e saia daí, vá embora’” desabafou o ex-diretor, ontem à noite, em entrevista ao Giro Esportivo, da FM 87. Antes de receber sua demissão, Vítor Hugo rechaçou a afirmação de que teria sido orientado a ficar no cargo por uma advogada e disse que não haveria problema em sair, desde que houvesse a rescisão contratual.

“A partir do momento que o presidente não quer mais contar com o meu serviço, ele tem que dispensar, fazer o acerto e acabou”, definiu. Vítor acrescentou que não pretendia dificultar. “Eu vou sair como bandido do Noroeste? Estou querendo criar problema? Problema nenhum. Só acho que tem que haver um acerto para eu deixar o clube”, explicou.

No sábado, a reportagem do JC já havia questionado Vítor Hugo sobre o conteúdo do dossiê, mas ele despistou e não revelou se os documentos apresentavam irregularidades. “Isso quem tem de dizer é o presidente”, limitou-se a dizer o “ex-homem-forte” do futebol noroestino. Entre as irregularidades especuladas estariam “notas frias” de consumo e abastecimento de veículos às custas do clube. Ontem, Vítor citou, ainda, que está suspenso por 180 dias e só poderá retomar suas atividades profissionais em março de 2010, quando os campeonatos já estiverem em andamento. “Estou impedido de trabalhar”, finaliza.

Enquanto permanece a indefinição, a preparação do clube para a disputa do Campeonato Paulista da Série A-2 segue uma incógnita. Damião explicou que ainda não há acerto com um novo técnico para dirigir a equipe na Segundona. Haveria conversas com uma pessoa, que não quis revelar o nome. Também existe o interesse no ex-técnico Alfinete.

Procurado pela reportagem do JC, Alfinete comentou ontem que ficou satisfeito de ter seu nome lembrado para dirigir o Noroeste. Entretanto, disse ser prematuro qualquer tipo de comentário no momento, pois espera uma definição do futuro do clube.

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Vitão: ‘A cidade vai saber a verdade’

Poucas horas depois de ser comunicado por telefone de sua demissão do cargo de diretor de futebol do Noroeste pelo presidente Damião Garcia, Vítor Hugo se mostrava sereno, porém deixou claro, em entrevista ao JC, que não vai recuar das denúncias que promete fazer. “A cidade vai saber a verdade. Coisas que podem causar problemas para algumas pessoas. A gente sabia de algumas coisas (irregularidades), mas não sabia que era tanto. A cidade tem que saber o que passa dentro do Noroeste e, na hora oportuna, pode ter certeza que vai saber”, proferiu. Ele (Damião) é o presidente do clube e tem todo direito de tomar as atitudes que achar que é melhor. Se ele tomou essa (demiti-lo), é a melhor solução que ele acha”, ressaltou.

Em um período curto de sua passagem de quatro meses como diretor de futebol do Noroeste, Vítor Hugo afirma que elaborou um dossiê com provas de supostas irregularidades na administração alvirrubra. De acordo com Vitão, as provas que reuniu foram determinantes no processo de “fritura” que sofreu no cargo. “Quando você começa a mexer com algumas coisas que incomodam algumas pessoas, essas pessoas se voltam contra você. Entreguei um dossiê para o presidente com algumas informações e fui boicotado com certeza”, apontou, em entrevista à rádio 87 FM.

“Quando você entra uma empresa, sabe que tem coisas erradas e começa a trabalhar para acabar com isso, as pessoas sentem e começam a trabalhar para lhe derrubar. Foi isso o que aconteceu. Existem muitas coisas erradas no Noroeste”, cravou, ainda nos microfones da mesma emissora.

Vitão enfatizou ao JC que sempre teve postura ética no cargo de diretor e não quer manchar sua trajetória. “Não vou sair como o bandido da história, não. Não sou bandido, sou um cara honesto e tudo que fiz lá é transparente. Não fiz nada escondido, não tenho que esconder nada. Se a cidade quiser saber o que eu fiz até hoje, eu mostro tudo o que foi feito. Como eu já abri lá para os torcedores. Os torcedores foram duas vezes lá falar comigo e mostrei documentação das coisas que estávamos fazendo. Então, comigo, não tem nada escondido, o que não acontece com o resto”, comentou.

Vítor Hugo lamentou também o fato de ter sido comunicado pelo Jornal da Cidade de sua demissão. Só depois de declarar à reportagem a saída do diretor do clube é que o presidente Damião Garcia entrou em contato com Vitão. Além disso, o ex-diretor lamentou a forma como foi notificado. “Você está sendo demitido e pegue as suas coisas e desocupe a sua sala. A falta de respeito não é com o profissional, é com o ser humano”, considerou. “Mas saio de cabeça erguida como sempre saí do Noroeste”, finalizou.

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Processo incomoda presidente noroestino

Damião Garcia desabafou, na última sexta-feira, em Bauru, com relação a críticas sobre sua administração. Ele disse que ainda tem que agüentar pessoas que exigem na Justiça que apresente o balancete financeiro do clube.

Damião se dispõe a divulgar as contas desde que receba o valor investido no Alvirrubro. “Queria dizer para esses dois cidadãos que eu presto contas. Se eles tiverem dinheiro para me pagar o que o Noroeste me deve. Duvido que tenham. Pouca gente tem o dinheiro que eu já gastei aqui”, desafia. Demonstrando insatisfação, acrescentou: “Você ainda sofre essas críticas. É muito difícil.”

Damião referiu-se a uma ação pedindo prestação de contas do Noroeste apresentada à 3ª Vara Cível da Comarca de Bauru, no início de setembro deste ano, por dois torcedores noroestinos. A prestação de contas é prevista no próprio estatuto do clube no artigo 86:

“O exercício deve ser encerrado em 30 de abril de cada ano. As contas desse período analisadas pelo Conselho Fiscal, poderão sofrer auditagem de empresas independentes contratadas pelo Presidente, cabendo ao Conselho Deliberativo a aprovação e publicação dos balanços até 30 de abril em jornal de Bauru, ou adotar outras medidas”. Ou seja, o estatuto do clube não vem sendo cumprido.

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Damião queria que Prefeitura assumisse dívida previdenciária

Segundo o presidente Damião Garcia, o Esporte Clube Noroeste deve mais de dois milhões de reais ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Damião, que teve sua conta particular bloqueada por causa das dívidas previdenciárias, gostaria de se ver livre da pendência financeira, pela qual acaba sendo responsabilizado, firmando uma parceria com a Prefeitura, que ficaria com o compromisso de quitar a dívida. Na última sexta-feira pela manhã, em entrevista do Jornal da Cidade, o mandatário alvirrubro expressou seu desejo de transferir a dívida para o Poder Público, como forma de colaboração na administração do clube. “Nós podemos fazer um contrato de comodato com a prefeitura, só que não pode ser por muito tempo. E a prefeitura se encarregaria de cobrir esse débito do Noroeste. Aí, o Noroeste ficaria limpo e mais fácil para administrar”, sugeriu Damião.

A idéia foi debatida no encontro do mesmo dia, à tarde, na prefeitura, com o secretário de Esportes e Lazer de Bauru, José Carlos Batata, e o prefeito Rodrigo Agostinho. Batata explicou, após a reunião, que os cofres públicos não podem assumir a dívida por questões legais. “É uma dívida particular e a prefeitura não pode se responsabilizar por ela, mas podemos ajudar de outra forma. A parceria com o DAE, por exemplo. O dinheiro arrecadado com a contribuição espontânea pode ser utilizado para pagar esta dívida”, aponta. Pela proposta de parceria com o DAE, o Noroeste receberia o arrecadado com a contribuição espontânea nas contas de água de R$ 1,00 para pessoa física e R$ 5,00 para pessoa jurídica.

Também na sexta à tarde, o mandatário alvirrubro falou ainda sobre a possibilidade do reparcelamento da dívida do clube pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis). “O Noroeste deve hoje para o INSS R$ 2 milhões e tanto. Se for fazer um parcelamento, e tem prazo só até o dia 30 de novembro, isso vai cair mais ou menos para R$ 1,5 milhão. Mas tem 240 meses para pagar. Isso é uma boa coisa”, considerou.

Damião concordou com Batata e citou a parceria do DAE como forma nova fonte de renda para o clube. “Outra coisa é a parceria com o DAE. Vão acertar em R$ 1,00 real para ajudar o Noroeste. R$ 1,00 não é nada para as pessoas e, para as empresas, R$ 5,00, que também não é nada. A previsão do pessoal da prefeitura é que, assim que lançar este plano e vai lançar logo, já entra uns R$ 60 mil. Isso tende a subir”, projetou.

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Abel Abreu promete apuração

O presidente do Conselho Deliberativo, Abel Abreu, afirma que o órgão não foi notificado das especuladas irregularidades na administração noroestina e nem teve acesso ao dossiê com supostas provas que o ex-diretor de futebol Vítor Hugo entregou ao presidente alvirrubro, Damião Garcia. Mas, caso se confirmem as denúncias, Abreu promete que o Conselho Deliberativo trabalhará pela apuração dos fatos. “Tenho que aguardar, não recebi nenhum comunicado. Enquanto não receber oficialmente algum comunicado não posso ficar fazendo conjecturas. Mas se vier alguma coisa naturalmente vai ser apurada. Mas se é funcionário da diretoria cabe ao presidente tomar providências”, analisou.

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