Ultimamente temos visto diversas correntes de pensamento tentando, cada uma à sua maneira, justificar as causas e conseqüências da crise financeira ocorrida no último ano. Já fazia algum tempo que o nome de “Lorde Keynes” não aparecia com tamanha evidência nos veículos midiáticos.
Em se tratando da crise recente, é consenso reconhecer que o setor financeiro mundial foi o epicentro de sua causa funesta, não é de se estranhar que este setor teve que contar com uma “redução” dos lucros nos primeiros períodos de 2009, vale ressaltar, no entanto, que redução nos lucros não equivale a um prejuízo propriamente dito, o que aliás, ocorreu em pouquíssimos bancos no caso brasileiro, à saber, no primeiro semestre de 2009, já em fase de recuperação, o banco Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander tiveram lucros de R$ 4,586 bi, R$ 4,02 bi, R$ 4,01bi e R$ 1,874 bi, respectivamente.
Desde a década de 80, as políticas econômicas, além das representações governamentais, até os períodos recentes passados, foram protagonizadas pelos agentes representantes, caricatas do conservadorismo clássico no modelo de pensamento e condutas política e econômica, dentre eles: Thatcher, Bush, Reagan, Collor, FHC etc. Esses protagonistas, impulsionados pelas crises econômicas dos anos 70, atuaram ativamente de forma a difundir os mais diversos conceitos presentes na cartilha liberal do pensamento clássico econômico.
Considerando o fato de que essas premissas clássicas baseadas na “ergodicidade” (adequação das variáveis econômicas como fundamentos exatos) do sistema econômico, reconhecendo o salário, por exemplo, um custo redutor do lucro do empresário, é que os autores pós-revolução Keynesiana começaram a enfaticamente criticar estes modelos, depositando na demanda agregada a variável chave para a lucratividade do setor empregador.
Essa concepção, embasada no poder da demanda agregada, justifica a valorização da remuneração do trabalho como força motriz de impulso ao consumo garantidor do lucro posterior do setor empregador. Em suma, quanto mais remunerar o trabalho, de maneira que todos os setores estejam envolvidos, maior será a capacidade consumidora dos agentes, tal qual maior serão os lucros das instituições.
Entretanto, ao que parece, no setor financeiro esta concepção passa longe de ser cogitada, pois desde o início do 4° trimestre de 2009, percebemos o desgaste enfrentado pelos trabalhadores do ramo financeiro em garantir aumento do ganho real através de sua negociação coletiva de salário.
Infelizmente, tudo nos leva à crer que o conceito clássico de lucratividade através da redução de custos trabalhistas não deixa de temperar a salada de arrogância dos banqueiros no Brasil, além disso, toda a concepção dos paradigmas liberais outros, não deixa de fazer parte do conteúdo programático do modelo de crédito neste país, contribuindo não só para que os funcionários deste setor sejam prejudicados, mas, sobretudo que este setor não se comprometa com o crescimento econômico virtuoso de uma economia em desenvolvimento.
O autor, Vanderson Aparecido D. Silva, é colaborador de Opinião