Polícia

Policiais fazem treinamento de choque

Por Luiz Beltramin | Com Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 200 policiais da Força Tática e Canis da Polícia Militar (PM) de seis batalhões abrangidos pelo Comando de Policiamento do Interior (CPI-4), cuja sede é em Bauru, participaram ontem de uma atividade de aperfeiçoamento das técnicas utilizadas para formação de tropas de choque. A iniciativa simulou as chamadas ações de controles de distúrbios civis, que englobam situações como rebeliões em presídios, revoltas nas ruas, brigas em estádios, entre outras.

O treinamento, que ocorreu durante todo o dia, teve como resultado três condenados capturados, uma prisão em flagrante de delito por receptação; um veículo localizado; duas apreensões de drogas; 32 autos de infração de trânsito lavrados; 14 veículos recolhidos (sendo 13 motos); 283 revistas pessoais; 195 motos, 27 estabelecimentos comerciais, 130 carros, cinco caminhões e dois ônibus fiscalizados; quatro boletins de ocorrência da Polícia Militar elaborados; cinco ocorrências apresentadas no DP; sete condutores de veículos autuados; 13 documentos de veículos apreendidos e cinco ocorrências resolvidas pela PM.

Participaram do treinamento, coordenado pelo tenente Arcanjo, comandante de pelotão de choque em São Paulo, policiais de Bauru, Assis, Ourinhos, Marília, Lins e Jaú. Após aulas teóricas, aplicadas no anfiteatro da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), os policiais partiram para o treinamento prático, realizado no pátio do quartel do CPI-4.

Durante as simulações, foram utilizados todos os equipamentos necessários tanto para a segurança dos policiais quanto para controle de situações tensas, entre elas bombas simuladas de gás lacrimogêneo. O treinamento, de acordo com o major Aírton Iosimo Martinez, ocorre periodicamente, sempre num batalhão diferente do CPI-4. O último deles, detalha o oficial, foi realizado no batalhão de Assis, em maio.

“Treinamentos assim são necessários no Interior, onde, ao contrário da Capital, que possui quatro batalhões específicos, não temos o Batalhão de Choque”, justifica. “Precisamos estar preparados, seja com a Força Tática, Canil e Cavalaria”, pontua o oficial, comandante do Batalhão Matricial de Choque.

Essa repartição, explica o oficial, é simbólica e reúne os policiais dos batalhões subordinados ao CPI-4, como se fossem “companhias” matriciais do Choque. Apesar de “virtual”, como define o major, o Batalhão de Choque no Interior tem ações necessárias e reais e já foi utilizado no controle de graves situações na região, seja em presídios ou no campo, como na recente intervenção em fazenda de Borebi (45 quilômetros de Bauru) invadida por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Após o treinamento, parte do efetivo que participou das atividades teóricas e práticas protagonizou uma operação pela cidade, visando a coação e prevenção de crimes que culminou na apreensão de maconha em lanche natural (leia mais no texto acima). Em procedimento semelhante realizado em Assis, no primeiro semestre, a varredura policial militar resultou em grande quantidade de apreensões. “Tivemos bom número de flagrantes”, acentua o oficial.

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“X-maconha”

Em cerca de 55 viaturas, os 200 policiais militares saíram em patrulhamento pela cidade à tarde, após o treinamento no CPI-4. Um dos grupos, formado por policiais de Bauru e Marília, fez operação no Jardim Vitória, região oeste de Bauru. Com ajuda do cão Dox, do Canil de Marília, os policiais apreenderam um lanche natural, embalado em plástico filme, recheado com maconha.

O lanche foi achado abandonado, no chão, próximo de onde, pouco antes, estavam seis homens que foram abordados pelos policiais. Mas como nenhum deles foi visto com o lanche ou dispensando-o, ninguém foi preso. Junto com o alface e tomate do recheio os policiais acharam cerca de 20 porções de maconha, também embaladas em plástico filme.

Se não fosse o cão farejador, um pastor belga de Malinois, dificilmente os policiais achariam a droga escondida no lanche. Mas Dox se posicionou ao lado do lanche e começou a latir, indicando que havia droga no alimento. A PM acredita que o artifício era usado para transportar droga pela rua - e vendê-la - sem levantar suspeita em caso de abordagem policial porque dificilmente iria se imaginar que no lanche haveria entorpecente.

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