Cabul - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, declarou ontem que aceita participar de um segundo turno após a Comissão Eleitoral do país divulgar os novos resultados do pleito de 20 de setembro que anulam sua vitória com maioria absoluta. A nova votação acontecerá no dia 7 de novembro, anunciou o porta-voz da comissão.
Segundo a comissão, que avaliou o relatório entregue na véspera pela Comissão de Queixas Eleitorais (CQE) sobre a extensão da fraude no pleito, o presidente Karzai obteve 49,67% dos votos válidos e não foi capaz de alcançar a maioria absoluta (54,6%) anunciada anteriormente.
Karzai deve enfrentar assim o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah, em um segundo turno. Analistas dizem, contudo, que Karzai - que é Pashtun, o maior grupo étnico do Afeganistão- deve ganhar a nova rodada. O difícil será apagar a mancha da ilegitimidade com a comprovação de fraude extensa na primeira votação.
“Nós acreditamos que esta decisão é legítima, legal e constitucional e que fortalece o caminho rumo à democracia”, disse Karzai, ao lado do senador americano John Kerry, com quem se reuniu durante a semana para debater as denúncias de fraude.
Kerry, democrata e líder do Comitê de Relações Exteriores do Senado, retornou ao Afeganistão depois de uma visita anterior para continuar as conversas com Karzai sobre a eleição. Segundo diplomatas, Karzai discutiu com Kerry até pouco antes do anúncio um acordo em troca do segundo turno.
O presidente afegão defendeu anteriormente que a fraude foi limitada e não generalizada - termo este utilizado pelo chefe da missão da ONU (Organização das Nações Unidas) no país, Kai Eide. A mudança de tom de Karzai veio após intenso esforço diplomático para garantir a legitimidade das eleições - e consequentemente do novo governo- em um momento de maior investimento na guerra ao grupo militante Taleban no país.
Tropas dos EUA aguardam
Toda a crise política causada pela indefinição eleitoral leva problemas às tropas internacionais no país, em especial às americanas, que aguardam a definição do presidente Barack Obama sobre um eventual aumento no efetivo. A Casa Branca já informou que o presidente Obama decidiu não enviar mais tropas para o país até que um governo legítimo tenha assumido o poder.
Com um governo democrático recente, esta foi a segunda eleição direta para presidente no país, e uma economia enfraquecida pela corrupção e produção de ópio, o governo afegão também depende da ajuda internacional para se manter.