Política

Demissão e recuo agitam Cerejeiras

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A exoneração de Luiz Antonio Gianini de Freitas da assessoria de Gabinete ontem, no horário do almoço, e a mudança de rota no final da tarde, integra mais um entre vários episódios que, aos poucos, vão revelando feridas no grupo político lotado no Palácio das Cerejeiras desde janeiro deste ano.

Coube ao chefe de Gabinete, Paulo Ferrari, a missão de comparecer à residência do assessor direto da chefia do Executivo, Luiz Freitas, no horário do almoço, para comunicar a exoneração decidida por Rodrigo, que estava em Brasília (DF) até o meia da tarde de ontem. Oficialmente, o secretário Municipal de Administração, Renato Gragnani, informou ao JC, à tarde, que a exoneração de Freitas era uma decisão político-administrativa do prefeito.

Questionado se o episódio partiu dele próprio, após não ter gostado da abordagem que sofreu em um restaurante da cidade, na noite da última segunda-feira, onde estavam, entre outros, a esposa de Freitas, diretora de Departamento da Secretaria de Educação, Liliana Freitas, Gragnani negou. “É uma decisão político-administrativa do prefeito, que já tinha determinado mudanças no Gabinete até a passagem do ano, onde uma mini-reforma será realizada. Não pedi a exoneração do Freitas por causa da conversa tensa do restaurante”, diz o secretário.

Mas dentro do Palácio das Cerejeiras a versão não colou. O secretário ficou irritado com a conversa tensa tida com a diretora da Educação e, ontem, segundo membros do próprio governo, pediu a cabeça do marido que está no Gabinete. Fontes ligadas ao prefeito também confirmam a reação vingativa do secretário, amigo pessoal de Rodrigo. No início da noite de ontem, porém, após a intercessão de colegas da administração por Freitas, o prefeito mudou de idéia.

Outra versão vem do Recinto Mello de Moraes, onde no último final de semana foi concluída a segunda edição bem-sucedida do programa Revelando São Paulo. A ciumeira interna já teria sido detectada nas articulações realizadas por Freitas também em relação à Conferência de Educação e a Oficina de Gestão, realizadas recentemente.

O chefe do Executivo também estaria desconfortável com uma assessoria formada por militantes partidários mais experientes e de fora de seu círculo pessoal. O terceiro andar tem gente próxima de Estela, Majô e Gasparini, junto de dois assessores novatos em gestão pública e com ligação anterior com o prefeito.

Latinha pública

O episódio de ontem é apenas uma ponte para entender intrigas e trapalhadas que circundam Rodrigo Agostinho. Durante a última visita do ex-ministro da Casa Civil do governo Lula a Bauru, José Dirceu, em uma recepção ao ex-deputado em condomínio da zona Sul, o próprio Rodrigo disse a Luiz Freitas e Majô Jandreice, ambos integrantes da cota do PC do B dentro da coligação vencedora da eleição 2008, que eles teriam de sair.

Mas nesta conversa com várias testemunhas, Agostinho atribuiu a situação a pedido de terceiros. Assim como naquela oportunidade, ontem as movimentações de grupos políticos que integram a administração municipal tiveram como consequência até comunicado ao ministro dos Esportes, Orlando Silva, para demover Rodrigo da idéia, além da ponderação direta da vice-prefeita Estela Almagro (PT) pelos riscos das rusgas que os recados e as intrigas provocariam.

Mas a dificuldade de Rodrigo em fortalecer seu grupo político, entre os amigos levados ao primeiro escalão e os que vieram de cotas políticas da eleição 2008, passou a evidenciar outras pistas de espinhos internos. Um deles, e que incomoda muitos, é o peso da palavra mais intimista de gente bem mais próxima ao seu ouvido, como o presidente da Emdurb, Rubito Ribeiro, e o próprio Renato Gragnani.

Entre um fato e outro, no último dia 8 de outubro, à noite, durante viagem a Santos, o presidente da Cohab-Bauru, Gasparini Júnior, também demonstrou diretamente ao prefeito, por telefone, que a onda de intrigas o atingiu, desta vez com a participação de Rubito e do próprio Rodrigo em discussão sobre compromisso de campanha não honrado. A trapalhada só não tomou dimensões maiores, até agora, porque o fato está circunscrito às ondas do rádio das Cerejeiras.

Ontem à noite, o prefeito disse que decidiu adiar o caso de Freitas para conversa com o assessor hoje. “A discussão com Gragnani e um conjunto de fatores gerou este caso. Não é anormal um governo enfrentar obstáculos e ter de pular”, disse Rodrigo.

Comentários

Comentários