Politicando

Dois quintos dos infernos


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Durante o século XVIII, o Brasil pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso País e correspondia a 20% da produção. Essa taxação “altíssima”, absurda, era chamada de “o quinto”. Esse imposto recaía principalmente sobre nossa produção de ouro.

O quinto era tão odiado pelos brasileiros que foi apelidado de “o quinto dos infernos”.

A coroa portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os quintos atrasados de uma só vez, no episódio conhecido como “derrama”. Isso revoltou a população gerando a “Inconfidência Mineira”, que teve seu ponto culminante no enforcamento do líder Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Essa narrativa me fez pensar no presente. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano em 38%, praticamente 2 quintos de nossa produção.

Atualmente, a carga tributária é praticamente o dobro do daquela época da Inconfidência Mineira, ou seja, pagamos hoje 2 quintos dos infernos.

Cirso Mendes Silveira

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