Pirajuí - O presidente da Câmara de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), Galeno Loureiro Sobrinho (PSB), suspendeu a inscrição para explicação pessoal dos vereadores José Cirineu Daniel (PRP) e Leila Neme de Barros (PPS) por três sessões consecutivas alegando ter sido ofendido pelos parlamentares durante as últimas sessões. Ele é acusado de tomar medida “autoritária”.
Para justificar a atitude, ele afirma estar amparado pelo Regimento Interno da Casa e Lei Orgânica do Município. Os vereadores alegam que estão sendo perseguidos e impedidos de manifestarem opinião.
Na portaria entregue aos parlamentares, Galeno diz que é “dever do presidente dirigir, executar e disciplinar os trabalhos do Legislativo, além de interpretar e fazer cumprir o Regimento Interno” e que “a explicação pessoal tem o objetivo da manifestação dos vereadores sobre suas atitudes assumidas durante a sessão ou no exercício de seu mandato, sendo proibida a ofensa moral a qualquer cidadão ou entidade”.
O presidente da Câmara alega que precisou tomar uma atitude mais enérgica porque foi ofendido por diversas vezes por Cirineu na sessão do dia 21 de setembro. Em trechos contidos no documento, o vereador questionou o uso da campainha por Sobrinho para interromper seu discurso e chamou a atitude de “falta de competência” e “falta de responsabilidade”, afirmando que ele tinha agido de forma indecorosa ao cortar sua palavra.
Sobrinho diz ainda que, como Cirineu não parava de falar, mesmo após ser advertido, pediu para que ele se retirasse do plenário e foi ironizado. “Eu ia processar eles. Desde o início, eles não aceitaram minha eleição como presidente”, conta. “Em todas as sessões têm ataques pessoais tanto a mim como ao prefeito”.
O vereador Cirineu rebate as acusações alegando que o presidente da Câmara vem usando indevidamente o seu cargo. “Ele está dizendo que está suspendendo eu e a Leila porque nós ofendemos a presidência. Aquilo que eu falei é simplesmente verdade e não foi da pessoa dele, foi da atitude do presidente”, alega. “A interpretação dele daquilo que falei é que não condiz com o que o Regimento e a Lei Orgânica estabelecem”.
Para justificar a suspensão da vereadora Leila, Sobrinho relata no documento que ela falou, na sessão do dia 4 de outubro, que ele teria chamado ela de racista em conversas com pessoas do seu convívio, imputando-lhe um crime que ele não cometeu.
A vereadora reclama que a Mesa da Câmara acatou a portaria sem o documento ter sido discutido. Para ela, a atitude do presidente da Casa demonstra “autoritarismo”, “abuso de poder” e “perseguição”. Leila conta que vem sendo perseguida há muito tempo, que não consegue utilizar a tribuna da Câmara e tem seu nome trocado por Sobrinho durante as sessões. Ela diz que vai entrar com representação contra o presidente do Legislativo.