Internacional

Negociadores chegam a rascunho de acordo sobre urânio com o Irã

Folhapress
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Viena - Uma nova tentativa de romper o impasse internacional em torno do programa atômico iraniano recebeu luz verde dos países envolvidos na negociação, indicou ontem o chefe da agência nuclear da ONU.

Após dois dias de conversas em Viena, diplomatas de Irã, EUA, França e Rússia, aprovaram o esboço de um acordo pelo qual Teerã se compromete a processar a maior parte de seu combustível nuclear fora de suas fronteiras.

Se cumprido, o pacto comprometeria a eventual capacidade do Irã de produzir armas atômicas, ainda que por tempo limitado. A suspeita de que o programa nuclear iraniano tem fins bélicos ocupa o centro das negociações, embora Teerã sustente que seu objetivo é somente a produção de energia.

Mohamed El Baradei, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), não revelou detalhes do esboço submetido aos negociadores, mas disse que ele reflete “uma atitude equilibrada” para desobstruir o impasse. Os países têm até hoje para dar uma resposta final à proposta.

Negociadores ouvidos pelas agências de notícias Associated Press e France Presse disseram que o acordo prevê a transferência, até o fim do ano, de 1.200 quilos de urânio do Irã para ser enriquecido na Rússia. Em seguida o combustível seria encaminhado para a França, que possui a tecnologia necessária para acrescentar os elementos necessários para o uso no reator iraniano.

Ali Asghar Soltanieh, chefe da delegação iraniana, elogiou a proposta, afirmando que ela está “no caminho certo”. Mas salientou que ela ainda não tem a aprovação de Teerã.

“Precisamos estudar com cuidado esse texto e realizar mais consultas na capital (iraniana)”, afirmou.

A tentativa de acordo marca a mudança de ares gerada pela eleição de Barack Obama nos EUA, mostrando maior abertura em relação ao Irã. Segundo diplomatas presentes, foi o contato mais próximo entre negociadores americanos e iranianos em 30 anos.

“Todos tentaram olhar para o futuro, não para o passado, e curar as feridas”, disse Mohamed El Baradei. “Espero que as pessoas vejam a situação de forma mais ampla, que leve à completa normalização das relações entre o Irã e a comunidade internacional.’’

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