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Pesquisa encontra larvas e insetos em pacotes de feijão

Por Lígia Ligabue | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Um dos principais ingredientes da culinária brasileira, o feijão está deixando os consumidores apreensivos. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) com 33 amostras de marcas vendidas em nove Estados do País apontou que 45% estavam incorretas com relação às informações do rótulo e que em 20% dos produtos avaliados havia larvas e insetos vivos.

Os quesitos analisados pelo instituto foram teor de umidade, presença de microtoxinas produzidas por fungos, tempo de cozimento, avaliação microscópica, resíduos agrotóxicos, classificação segundo defeitos, se o rótulo do grão correspondia ao anunciado na embalagem e se as informações dos rótulos estão de acordo com a resolução vigente.

O critério que mais houve reprovações foi a classificação segundo defeito e impurezas. Nesse aspecto, 45% das marcas diziam nas embalagens que os grãos eram de um determinado tipo, mas as análises constataram que faziam parte de um tipo inferior. Das 15 marcas reprovadas, seis eram vendidas como tipo 1 quando eram do tipo 2 ou 3.

As outras nove marcas consideradas como “desclassificado” - que apresenta impurezas, insetos mortos acima do limite de tolerância - não poderiam fazer parte do mercado, pois sete continham insetos vivos, larvas vivas, agrotóxico proibido na lavoura de feijão e inseticida acima do limite determinado.

Segundo Vera Lúcia Barral Hiratani, médica veterinária, sanitarista e consultora técnica do Idec, o resultado negativo surpreendeu. Para ela, a presença de larvas e insetos aponta que houve falha na produção e a responsabilidade é da empresa. “Os insetos existem na cultura do feijão, mas durante o processamento, eles devem ser eliminados. Se apareceram no produto final é porque o processo não foi feito de acordo com a recomendação. E a empresa não podia levá-los ao consumidor”, destaca.

A consultora ressalta que uma das principais irregularidades constatadas foi a incoerência entre o informado no rótulo e o que estava contido no pacote. “A embalagem apontava um tipo superior e o preço pago pelo produto era referente a um feijão superior. Mas foi constatado que o produto adquirido pelo consumidor era de qualidade inferior”, pontua. Ou seja, o consumidor estava sendo enganado.

Segundo Vera, as empresas foram contatadas pelo instituto antes da publicação do resultado da pesquisa e as justificativas foram as mais diversas. “Algumas reconheceram os problemas e se prontificaram a retirar o produto do mercado”, afirma.

Todas as amostras foram aprovadas nos critérios de umidade, presença de micotoxinas, tempo de cozimento e características do grão após o cozimento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Ministério da Agricultura foram notificados sobre os resultados. “A primeira responsabilidade é a da empresa, que não pode disponibilizar ao consumidor um produto nessas condições. Em segundo dos órgãos fiscalizadores, que devem elaborar meios de evitar esses problemas”, ressalta a consultora.

As marcas de feijão analisadas pelo Idec são: Oriente, Tio Beto, Primavera, Tarumã, Tryumpho, Combrasil, Padim, Peg Pag, Tio Neco, Bom Preço, Turquesa, Grão de Minas, Zaffari, Blue Ville, Nobre, Bastida, Kicaldo, Líder, Extra e Feijão da Casa.

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Cuidados

De acordo com o Idec, o consumidor deve estar sempre atento ao aspecto do produto antes da compra e guardá-los de forma adequada em casa . Atualmente desempregada, Luciana Morais costuma dividir os mantimentos. Arroz e açúcar ficam guardados em potes próprios. Mas o feijão fica na embalagem. “Mas qualquer tipo de mantimento, se você demora para consumir, acaba juntando alguma coisa”, diz.

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