Bairros

População desconhece trabalho da PM

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Os chamados que chegam ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de Bauru, através do 190, já demonstravam que a população pouco sabia a respeito do verdadeiro papel da corporação, mas agora a informação está balizada em um estudo elaborado pelo Núcleo Opinião, vinculado ao campus local da Universidade estadual Paulista (Unesp). O estudo chegou à conclusão de que a comunidade, em sua grande maioria, recorre à Polícia Militar (PM) para serviços que não são de sua competência, desconhecem o trabalho social que o efetivo realiza e tem pouca ou nenhuma proximidade com a realidade com que ele lida diariamente.

Para tentar mudar este panorama, o 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPMI) solicitou à universidade que elaborasse um levantamento para identificar, nos diversos setores da cidade, o que os moradores pensam e esperam da corporação. Ao conhecer o grau de credibilidade e de proximidade com que o policial é visto pela comunidade, o objetivo é elaborar estratégias para aprimorar o serviço prestado e, assim, torná-lo mais ágil e eficaz.

A etapa qualitativa, divulgada ontem, irá nortear a segunda parte do trabalho, elaborado por alunos dos 2º e 3º anos do curso de Relações Públicas (RP). Assim como em uma “pesquisa de mercado”, a idéia é entrevistar cerca de mil moradores para descobrir a imagem que eles possuem da PM e em que medida já sofreram com a violência urbana na cidade. Depois de compilados, os dados devem se transformar em estatística local com “95% de confiabilidade”, como adianta a orientadora do grupo de pesquisadores, a professora doutora Célia Retz.

“Como a pesquisa qualitativa conta com uma pequena amostra de entrevistados, ela apenas nos fornece alguns subsídios para a pesquisa quantitativa. Esta nova etapa será iniciada em 3 de novembro e os resultados devem ser divulgado até o final do mês”, frisa.

Na fase do projeto já concluída, os debates com os moradores foram realizados em sete áreas distintas de Bauru, de acordo com a distribuição das bases comunitárias de segurança da PM no mapa do município. Ao todo, foram entrevistadas 105 pessoas, além de um grupo formado pelos próprios policiais militares.

“A principal conclusão foi que a população não conhece o papel da PM e que a impressão que cada indivíduo tem dela está muito ligada ao seu repertório particular. Foi por esse motivo que encontramos tantas diferenças entre as áreas pesquisadas”, comenta Célia.

De acordo com a pesquisa, na zona Sul e região central, habitada principalmente por pessoas de classe social mais alta, os moradores se sentem inseguros, procuram se equipar com todo aparato de segurança para proteger seu patrimônio e conhecem o trabalho da PM principalmente através dos meios de comunicação. Já nos bairros periféricos, como os existentes na área Noroeste, e também nas zonas Norte e Leste, a imagem do policial, via de regra, é tida como mais positiva.

“Mas, na periferia, os moradores também respeitam o “dono do bairro” (traficante), que é aquele que muitas vezes também resolve os conflitos mais imediatos de quem vive no local”, acrescenta a orientadora.

Segundo o major Wellington Luiz Dorian Venezian, chefe da Divisão Operacional do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), o estudo tem uma ambição transformadora quanto ao relacionamento entre policiais e comunidade através do conhecimento mútuo entre eles. “Nós realizamos pesquisas freqüentes com a Unesp, que são muito ricas no sentido de identificar quais são as demandas da população, para então fazer com que ela se torne mais próxima de nós”, afirma.

Venezian explica que apenas uma pequena parcela das ligações direcionadas ao Copom tratam de assuntos que efetivamente envolvam o trabalho do efetivo. Muitos, conforme aponta o estudo, mal sabem a diferença entre os papéis desempenhados pela PM e Polícia Militar. “Tem gente que liga para perguntar um caminho na estrada, outras que ligam pedindo ajuda para encontrar uma chave. E o mau uso do sistema acaba retardando nossas atividades”, frisa.

Outro ponto destacado pelo major, também referente ao desconhecimento da população, está relacionado aos projetos sociais desenvolvidos pela PM, como o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) e o próprio Jovens Construindo a Cidadania (JCC), iniciativa que surgiu em Bauru e se expandiu para todo o Estado.

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