Jaú - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, defendeu ontem em Jaú (47 quilômetros de Bauru) a taxação do capital estrangeiro, medida que o governo federal adotou para conter a queda nas exportações e a sobrevalorização do real.
“Somos contra o aumento de impostos, mas a medida do governo federal de taxar o capital estrangeiro é importante”, afirmou referindo-se à taxação de 2% em aplicações de renda fixa ou variável, anunciada nesta semana. “Não há muito como controlar o câmbio, mas a iniciativa ajuda pois evita as operações especulativas que só geram volatilidade e nenhuma riqueza para o País”.
Skaf participou de encontros com lideranças empresariais de Jaú e visitou obras do Sesi, na cidade de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru).
Durante o encontro, o presidente da Fiesp ouviu considerações e dúvidas da platéia formada por mais de 150 empresários e traçou um panorama da atividade econômica no Brasil pós-crise.
“As palavras de ordem agora são: educação e inovação, seguidas de infra-estrutura. A crise ficou para trás para a maioria dos setores, com exceção daqueles que dependem mais do mercado externo”, afirmou Skaf.
De acordo com o presidente da instituição, que reúne por volta de 150 mil empresas, a perspectiva para 2010 é muito boa, quando a economia do Brasil deve crescer de 5% a 6%.
Para Skaf, a taxa básica de juros, Selic, mantida em 8,75% nesta semana, poderia cair mais, mas há outros problemas mais graves, neste momento, a serem combatidos: a falta de crédito e o alto spread bancário. “Devemos reconhecer que a batalha do setor produtivo começou a surtir efeito: os juros caíram. No entanto, se queremos garantir o desenvolvimento, temos que combater outros problemas urgentes como o alto custo do crédito. O brasileiro precisa de crédito barato e acessível”, disse Skaf.
Jáu é um pólo calçadista que sofreu no início da crise com o enfraquecimento do mercado externo, com queda de mais de 26% nas exportações. Mesmo assim, para o presidente da Fiesp, a economia da cidade passou bem pela crise. “Os últimos dados da nossa pesquisa de emprego Fiesp/Ciesp mostram que o setor produtivo paulista está reagindo com consistência, e não é diferente em Jaú”, disse.
“Os 11 municípios que compõem a região tiveram um acréscimo de 4.750 postos de trabalho industriais no ano, um aumento de mais de 17%. E a tendência é que este crescimento, daqui para frente, seja sustentado”, analisou.
Representantes do setor de calçados reclamaram a Skaf que o preço do couro subiu muito nos últimos 15 dias. Ele afirmou que vai convocar uma reunião extraordinária do Departamento do Agronegócio (Deagro) para discutir essa questão. O aumento coincide com a fusão do grupo Bertin e o Friboi.
Em Pederneiras, Skaf visitou a obra da nova escola do Sesi, que será inaugurada em 2010 para oferecer ensino integral e ensino médio aos alunos. Os investimentos na cidade giram em torno de R$ 5 milhões. Ontem à noite estava prevista visita de Skaf à cidade de Lins.