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Animais de estimação: Relação com donos exige regras

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 2 min

O professor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Sandro Caramaschi, conta que a relação entre homens e bichos domesticados teve início há milhares de anos. O primeiro indício concreto do elo emocional entre um humano e um animal data de 12 mil anos: são restos fossilizados de uma mulher abraçada a um filhote de cão, encontrados no Oriente Médio.

“A princípio, essa relação era por fins utilitários. Cães eram usados para vigia, caça, pastorear. No decorrer do tempo, foram se desdobrando uma infinidade de raça e cada uma com caraterísticas específicas”, explica. “Eles foram se transformando em animais de estimação e ganharam características de animais domésticos, ficaram mais sociáveis, dóceis”, acrescenta.

Para o professor, é interessante e faz bem para a saúde ter um animal de estimação, mas ele deve ocupar o espaço de um animal. Além disso, não deve ser atribuído ao bichinho características de humano. “Você percebe que as coisas estão exageradas quando as pessoas começam a perder a liberdade e possibilidades por causa do animal. Deixa de viajar, de receber visitas. Além disso, existem os bichos que se tornam agressivos, e por afetividade, o dono não toma nenhuma atitude”, revela Caramaschi.

Os animais são tratados como filhos geralmente por pessoas carentes, aposentados que têm filhos que foram embora ou por pessoas que passam por perdas. “Essas pessoas usam o bichinho como uma forma de complementação. Mas também existem as pessoas que já têm afeto por animais naturalmente”, afirma o professor.

De acordo com Caramaschi, as mulheres e as crianças se apegam mais aos animais. No caso das mulheres, o fato é justificado por conta das reações instintivas de mãe. “Existem raças que são selecionadas durante muito tempo para ficar parecida com bebês. Eles têm olhos grandes, são brincalhões e isso desperta a sensação de agradabilidade. A pessoa se sente no dever de proteger esse animal, como se fosse um bebê”, revela.

Se a relação entre o homem e o animal for saudável, os bichinhos de estimação podem representar qualidade de vida. “No caso dos idosos, por exemplo, os animais têm papel significativo porque os donos se sentem responsáveis por aquela vida. Estudos mostram que a qualidade de vida dos idosos com animais de estimação é melhor”, conta o professor. “Com as crianças, o papel do bichinho também é importante. O pequeno cria responsabilidade, já que se sente responsável pelo animal. Além disso, aprende a lidar com o luto, já que ou bicho vive menos do que o ser humano”, finaliza.

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