Bairros

Mais escolarizados, jovens assumem papel de síndico

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Um senhor de pouco mais de 60 anos, aposentado, sério e sempre ocupado. Esta é a figura que invade o imaginário das pessoas quando se fala em síndico. Mas uma pesquisa encomendada pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) mostra que esse estereótipo está saindo de cena para dar lugar a administradores de condomínios cada vez mais jovens e escolarizados.

O levantamento mostra que 74% dos síndicos de condomínios residenciais têm entre 30 e 60 anos enquanto 26% dos entrevistados afirmaram ter mais de 60 anos. O rejuvenescimento dos síndicos é ainda mais notável nos condomínios comerciais, onde foi constatado que 86% dos administradores têm entre 30 e 60 anos - apenas 14% ultrapassam essa faixa etária.

A mudança no perfil desses profissionais já vinha sendo notada há algum tempo, afirma Hubert Gebara, vice-presidente de administração imobiliária de condomínios do Secovi-SP. “A pesquisa foi encomendada para comprovar essa transição”, informa.

O levantamento, realizado pela Toledo & Associados, ouviu 1.011 síndicos de condomínios residenciais e 160 de prédios comerciais na Capital paulista e em 18 cidades da Grande São Paulo e Interior paulista. Nesse grupo estão Campinas, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, São José dos Campos, Sorocaba, Jundiaí, Guarulhos, Osasco, Bauru, Piracicaba, São José do Rio Preto, Americana, Diadema, Araçatuba, Araraquara, São Carlos e Presidente Prudente.

Outra novidade apresentada pela pesquisa está relacionada à escolaridade dos síndicos paulistanos: 58% dos que administram condomínios residenciais estão cursando ou já concluíram o ensino superior, e outros 10% fizeram pós-graduação, mestrado ou doutorado. Nos prédios comerciais, o número de síndicos já graduados no ensino superior também chama a atenção: 51% deles já concluíram uma faculdade e 18% têm pós-graduação, mestrado ou doutorado.

Para Leilane Figueiredo Strongren, diretora de condomínios da Secovi na região de Bauru, o maior acesso a cursos superiores motiva a mudança no perfil dos síndicos paulistas. “Hoje em dia é mais fácil cursar uma faculdade. E é justamente o convívio no ambiente universitário que desperta nas pessoas a consciência cidadã, a vontade de ser mais participante e atuar no zelo pelo patrimônio”, analisa Strongren.

Vocação

Bauru tem grande representatividade quando o assunto é síndico. A cidade conta com cerca de 380 condomínios de variados tipos e tamanhos. Quem assume o encargo de gerenciar um condomínio residencial terá que aprender a lidar com as pessoas, resolver problemas dos mais variados tipos, que abrangem desde reclamações de barulho até contabilidade.

Condomínios comerciais também contam com a presença de um síndico, mas a gestão parece ser mais tranqüila. Isto porque os problemas de relacionamento entre os inquilinos são em menor número se comparado a de um condomínio residencial.

Em prédios comerciais os problemas são, em maior parte, relacionados à estrutura física do edifício. Outro fator que ameniza a função é que, neste caso, o síndico trabalha somente durante o expediente comercial.

Por trás dessa função estão a vontade de ajudar, a disposição para cuidar do patrimônio em comum e uma boa dose de altruísmo, já que nem sempre o trabalho de administrador de condomínio representa gratificação em dinheiro ou isenção da taxa de condomínio. Mas, independente do tipo de condomínio, os síndicos podem optar por contratar os serviços de uma administradora para auxiliá-los.

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Diferença entre sexos diminui e dá lugar à qualificação

Além do aumento no nível de escolaridade e da diminuição da faixa etária dos administradores de condomínio, a pesquisa realizada pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP) apontou que o número de síndicos do sexo feminino e masculino está se equiparando nos condomínios residenciais.

Os dados obtidos mostram que 52% dos síndicos são do sexo masculino contra 42% do sexo feminino. Já nos prédios comerciais a diferença é mais acentuada, 64% são homens e 36% mulheres.

Maria Regina Binatto, diretora de uma administradora de condomínios de Bauru, acredita que a diferença entre os sexos está diminuindo em conseqüências de fatores culturais. “O mundo globalizado cada vez menos diferencia um profissional pelo sexo. Neste caso, as mulheres ganham destaque, uma vez que sempre foram administradoras do lar e apresentam maior facilidade para lidar com os problemas diários de um condomínio”, salienta Binatto.

Para Hubert Gebara, vice-presidente de administração imobiliária de condomínios do Secovi-SP, a mudança no perfil de síndico tem uma carga histórica e é conseqüência da evolução do ser humano.

“As pessoas passaram a procurar condomínios em busca de luxo, conforto, segurança, entre outros itens. Atualmente muitos condomínios residenciais podem ser comparados às pequenas cidades. Os moradores destes locais passaram a exigir mais dos administradores, que precisam estar cada dia mais qualificados e capazes”, avalia Gebara, para quem o síndico pode ser comparado ao “presidente de um regime parlamentarista”.

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