Bairros

Zeloso, síndico cuida do interesse comum

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Zelar pelo patrimônio em comum, aprender diariamente, aprimorar a forma de se relacionar e realizar trabalhos que, além de beneficiar outras pessoas, valorizam o próprio imóvel. Estas são algumas das explicações dadas pelos síndicos entrevistados pela reportagem sobre o motivo de terem assumido o cargo de administradores de condomínio.

Iracema Almas, 45 anos, síndica do Residencial Parque das Camélias, conta que sempre gostou de participar da diretoria do condomínio, e há um ano e meio teve a oportunidade de se candidatar ao cargo em que atua hoje.

“É gratificante quando concluo um projeto que vai beneficiar o local onde moro, meu imóvel e também o de outras pessoas. No meu caso, já participava da administração anterior e optei por dar continuidade ao trabalho”, conta Almas, que pretende continuar no cargo. “Adoro o que faço.”

A presidenta do Residencial Tívoli, Denise Gato, 38 anos, tem a mesma opinião que Almas. Ela atua na função de administradora de condomínios há 12 anos, sendo metade como síndica de prédios e o restante na função de presidenta.

Gato explica que a diferença entre síndico e presidente está apenas na esfera jurídica. “Existe uma lei que regula a função dos síndicos, algo que não acontece com o cargo de presidente de loteamento, que não tem amparo federal, mas na prática o trabalho é o mesmo”, compara.

Entre as razões que levaram Gato a assumir a função estão o aprendizado diário de novas informações e o respeito às diferenças. “Aprendo alguma coisa nova todo dia, como respeitar as opiniões, lidar com as pessoas e estar sempre solícita”, enumera.

Já João Carlos Scalone, 49 anos, se tornou síndico do Edifício São Lucas, um condomínio comercial, após indicação da diretoria do prédio, em razão do administrador anterior estar se mudando para atender em outro local. Depois de eleito, Scalone acabou gostando da função e foi reconduzido ao cargo por mais três vezes.

“Sou ‘dentista-síndico’ há oito anos e até então nunca tinha pensado em desenvolver este tipo de trabalho, mas confesso que acabei gostando da função. Fui eleito por aclamação”, diz em tom de brincadeira.

O advogado Gabriel Gonçalves Silva, 35 anos, também foi eleito por aclamação. Ele é síndico do Edifício Portal do Bosque há três anos, e aceitou o cargo com a intenção de ajudar. “Como é um prédio comercial novo, tem apenas três anos, muita coisa precisava ser resolvida. Na primeira reunião, fui indicado para o cargo e aceitei. Tudo o que fiz pelo prédio, além de ajudar as outras pessoas, me beneficiou também”, relata.

Diferente de Scalone, Silva não pretende continuar no cargo, pelo fato da função exigir tempo e dedicação. “No meu caso, acaba interferindo em outras tarefas que eu preciso executar”, contrapõe.

O aposentado Antônio Euclides Rosseto, 67 anos, síndico do Edifício Florença, também não pretende continuar na função de administrador no próximo ano. “Sou síndico há oito anos. E quando se é síndico várias vezes, estamos sujeitos a incorrer nos mesmos erros”, justifica.

Na primeira vez, Rosseto teve um motivo especial para se candidatar ao cargo de síndico. Ele era recém-aposentado e queria ocupar o tempo vago desenvolvendo alguma atividade. “Optei por ser síndico porque, além de poder realizar alguma atividade após minha aposentadoria, ainda cuido do meu patrimônio de perto”, argumenta.

No caso de Rosseto, um dos fatores que o levaram a desistir do cargo foi o fato de não receber nada pelo serviço. “Pago o condomínio e não recebo nenhum auxílio pela função”, aponta.

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Graduação

Denise Gato, 38 anos, presidenta do residencial Tívoli, engrossa os dados da pesquisa realizada pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), que aponta maior escolaridade entre os síndicos paulistas.

Gato representa o perfil do novo síndico. Além de ser jovem, ela voltou a estudar para se tornar mais qualificada para a função que exerce atualmente. Foi síndica pela primeira vez quando tinha apenas 26 anos e há seis, passou a desenvolver o trabalho de presidenta no residencial onde mora.

Ela integra o grupo de 30% dos síndicos com idade entre 30 e 45 anos. Além disso, se encaixa nos 8% que têm ensino superior incompleto. A decisão de voltar a estudar foi tomada quando percebeu que precisava aprender a argumentar e se comunicar para realizar as reuniões de condomínio.

“Eu ficava muito nervosa. Aqui a maioria dos condôminos tem uma formação e eu precisava criar um diálogo no mesmo padrão”, justifica Gato, que cursa o primeiro ano de direito. “Gosto demais do que faço”, garante.

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Outro lado

“A presença de um síndico faz toda a diferença para que mora em condomínio.” Esta é a opinião da estudante de psicologia Adriana Francisco Dias, de 24 anos, que já morou em dois prédios, sendo um com síndico e outro sem.

“A diferença é gritante. Sempre que eu precisava resolver algum problema pertinente ao condomínio ia direto no síndico e ele me atendia na hora. Agora, sempre que tenho um problema, tenho de ligar na imobiliária e ficar esperando por dias”, compara.

Dias conta que já chegou a reclamar direto com uma moradora por causa do barulho. “A situação era insuportável, e me atrapalhava. Falei direto com a menina, porque se fosse depender da imobiliária ia demorar muito mais tempo”, explica.

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