Com o tempo de trabalho definido pelo horário comercial, sem crianças, sem brigas por garagem e nada de animais, assumir a tarefa de síndico de um condomínio comercial aparenta ser uma função bem mais tranqüila se comparada à de condomínios residenciais.
Por conta das facilidades deste ramo de administração, os síndicos de condomínios comerciais raramente são lembrados, mas têm papel fundamental nos afazeres administrativos de um prédio comercial.
João Carlos Scalone, 49 anos, é dentista e síndico do Edifício São Lucas há oito anos. Ele conta que os problemas encontrados ao administrar condomínios comerciais são bem diferente dos identificados nos residenciais.
“Raramente tenho problemas com as pessoas. Aqui somos todos adultos e a maioria de nós trabalha na área de saúde, por isso quase não tenho dificuldades relacionadas ao convívio social”, conta Scalone.
No caso dos condomínios comerciais, grande parte das tarefas do síndico está relacionada à manutenção do prédio. O advogado Gabriel Gonçalves Silva, 35 anos, que exerce a função no Edifício Portal do Bosque, aponta a tarefa de manter o funcionamento da infra-estrutura como sendo a principal a ser executada no seu dia-a-dia.
“O prédio aqui é novo, tem apenas três anos, e muita coisa teve de passar por aquela fase de teste para depois ser definido o que seria melhor. Qualquer problema na estrutura do prédio tem de ser resolvida com agilidade, pois como as pessoas trabalham aqui precisam desse suporte”, argumenta.
Silva e Scalone foram eleitos síndicos por aclamação, e ambos aceitaram a função com a intenção de contribuir para o ambiente em que trabalham. Mesmo admitindo que os condomínios comerciais têm menos problemas que os residenciais, eles apontam que isso não significa que não sejam cobrados de forma igual.
“Uma vez que se assume um cargo de representatividade, você está sujeito a cobranças, e não são poucas. Os inquilinos passam a entender aquilo que você faz como uma obrigação e não um favor. Muitos deles querem que você resolva assuntos particulares”, exemplifica Silva, que já usou dinheiro do próprio bolso para custear despesas do condomínio.
Perfil
Os administradores de condomínios comerciais do Estado de São Paulo têm, em grande maioria, o perfil de Silva e Scalone, ou seja, são homens e têm entre 30 e 60 anos, segundo levantamento feito pelo Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP).
A pesquisa também apurou dados interessantes em relação à escolaridade desses profissionais. Uma vez que um condomínio comercial é composto por profissionais, é esperado que grande parte deles tenha maior nível de escolaridade. No caso, ficou comprovado que 51% dos síndicos comerciais já concluíram o ensino superior.
Outra novidade que pode ser observada nos dados estatísticos é que 18% dos profissionais entrevistados estão cursando ou concluíram curso de pós-graduação, mestrado ou doutorado. “Os números da pesquisa levam a acreditar que os síndicos estão buscando cada vez mais conhecimento para atender à demanda por pessoas qualificadas que os condôminos exigem”, aponta Hubert Gebara, vice-presidente de administração imobiliária de condomínios do Secovi-SP.
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Apoio
Como a tarefa do síndico não é nada fácil, foram criadas empresas especializadas nesta segmentação, as chamadas administradoras de condomínio. O objetivo delas é tornar uma pouco mais tranqüila a função.
Fazer a contabilidade do condomínio, contratar pessoal qualificado para trabalhar no local, dar conta de procedimentos jurídicos, fazer cobrança, entre outras atividades, são funções transferidas do síndico para a administradora, caso se opte a contratá-la.
Maria Antônia Figueiredo de Souza, gerente de uma administradora que cuida de cerca de 70 condomínios em Bauru, ressalta que o apoio de uma empresa especializada é muito importante para o condomínio.
“Nós damos todo o apoio necessário ao síndico, tanto na esfera administrativa quanto judicial. É importante que o síndico tenha um canal de comunicação com a administradora aberto e que a comunicação seja intensa”, explica ela.
Para Maria Regina Binatto, diretora de uma outra administradora, um condomínio deve ser visto como uma pequena empresa sob legislação. “O síndico deve servir de ponte entre os moradores e a administradora. A parte burocrática deve ser toda resolvida pela administradora”, explica.
Por conta disso, essa empresa criou o Clube do Síndico. A intenção é promover a interação entre esses gestores para que possam trocar experiências e se manter atualizados. A reunião é realizada dez vezes por ano e sempre conta com a presença de um palestrante, que aborda temas comuns ao dia–a-dia dos síndicos.