Cultura

Paixões reunidas

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

Dividido entre as funções de pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor de jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, falta tempo para Gilberto Maringoni dedicar-se a uma de suas paixões: os quadrinhos. Calma, não é ainda dessa vez que o bauruense presenteia os admiradores de suas histórias com uma nova - apesar do desejo e projeto já existirem.

Enquanto isso não acontece, “Tocaia - e Outros Quadrinhos” (Devir Livraria) é a oportunidade de ter reunida parte da produção do quadrinista, que tem seus traços publicados no Chile, Venezuela, França, Itália, Espanha e Portugal, além do Brasil. Com histórias feitas pelo autor entre 1989 e 2002, o livro será lançado em Bauru, hoje, no Templo Bar, a partir das 20h30.

“Esses quadrinhos foram publicados em várias revistas e os propósitos eram diversos. Selecionei e procurei agrupar por temas. O resultado foi meio que um balanço, uma antologia do que eu produzi melhor nessa área”, explica Maringoni, em entrevista ao JC Cultura. A coletânea traz HQs presentes em diversas publicações brasileiras, como Carta Capital, Kyx-93, Lúcifer, Metal Pesado, Panacéia, Front, além de estrangeiras como a Fluide Glacial, Orme, Seleções BD e ConSequencias.

Questões da vida pessoal, a grande cidade, violência, e aviões - outra paixão do bauruense - são as temáticas em que se dividem as 14 histórias. “Aliás, tem uma que é passada no Aeroclube de Bauru, onde, durante um tempo, fiz vôo a vela”, destaca o jornalista, que costumava zanzar pelo hangar bauruense xeretando o cockpit de Paulistinhas e Aeroboeros.

Em suas 112 páginas, o livro traz ainda a história de um morador da avenida São João, em São Paulo, que tem o apartamento invadido pelo Minhocão. “Morador de um dos poucos prédios não derrubados para a construção da via, o sujeito da história tem o Minhocão passando no meio do apartamento dele”, conta. “Construído há 40 anos, o Minhocão é expressão da deterioração e violência que se fez contra o traçado urbano. Ele rasga o Centro de São Paulo e a área abaixo dele ficou muito degradada ao longo de décadas”, completa o pesquisador.

Ainda no tema cidade, há a história “Trilhas Paulistanas”. “Em um engarrafamento monumental, os carros encalharam e nunca mais conseguiram tirá-los. Fala sobre um engarrafamento eterno”, resume. Já “Tocaia”, história que deu título ao livro, retrata um matador de aluguel no Norte do Brasil.

Pesquisa desenhada

“De 10 anos para cá tenho outras atividades e a produção ficou meio de lado. Até porque não dá para viver de quadrinhos”, explica Maringoni sobre seu afastamento dos desenhos. A falta de tempo e a dedicação que as HQs demandam são os principais culpados dos projetos gráficos do quadrinista não saírem da gaveta.

“Tenho uma novela gráfica de 160 páginas que estou há anos ensaiando desenhar. Todo ano falo: ‘assim que eu tiver tempo, eu faço’”, comenta sobre a história já intitulada “A Noite e Algo Mais”. A HQ narra a história de um crime na região leste de São Paulo, solucionado muitos anos depois, quando todos os personagens já morreram.

“A história passeia por lugares e ambientes onde a modernização do País teve um ponto importante do século 19 para o 20. Traz ainda parte da história do Brasil, que está se perdendo, porque fábricas centenárias estão sendo destruídas para a construção de conjuntos habitacionais. E tudo isso envolve uma pesquisa muito grande”, adianta.

“É uma coisa muito lenta de fazer. Para que a história seja consistente, pelo menos no meu ponto de vista, você tem que documentar, fotografar, envolve todo esse processo de ambientação. É quase que uma pequena produção de um filme”, explica. “Sempre acho que o desenho é secundário em relação à história. Mais importante na HQ é a história e não o quadrinho”, completa.

Maringoni é autor de oito livros, entre eles “A revolução Venezuelana” (2009), “Barão de Mauá”, “O Empreendedor” (2007) e “A Venezuela Que Se Inventa - Poder, Petróleo e Intriga nos Tempos de Chávez” (2004).

• Serviço

Lançamento de “Tocaia e Outros Quadrinhos”, de Gilberto Maringoni, hoje, às 20h30, no Templo Bar (rua Benjamin Constant, 1-34). Amanhã, músicos homenageiam Paulo Keller. Informações: (14) 3223-3493.

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Músicos homenageiam Paulo Keller

Norba, Marquinhos Belinatti, George Vidal, Badê, Badezinho, João Paulo Bianco, Gi Navarro, Regina Mancebo, Marthynha, Clemente, Wanny, Ademir e tantos outros bauruenses que cantaram ou tocaram com Paulo Keller estarão juntos amanhã. No Templo Bar, os músicos farão show em homenagem ao artista, morto no último dia 13, após uma parada cardio-respiratória. No repertório, estarão as canções que Paulo Keller gostava de cantar. A apresentação, marcada para as 21h30, será beneficente e os ingressos serão vendidos a R$ 10,00

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