O Hospital Estadual (HE) de Bauru, que gerencia o Hospital Manuel de Abreu, e a empresa que ficará responsável pela realização de radioterapia nesta instituição, devem iniciar em uma semana o transporte de 15 tubos de césio-137 para o Instituto de Pesquisa em Energia Nuclear (Ipen), da Universidade de São Paulo (USP), onde existe um pequeno reator atômico destinado a pesquisas.
Material idêntico ao que está armazenado em Bauru desde a década de 90, causou em 1987 em Goiânia o maior acidente radioativo do Brasil, onde foram contaminadas centenas de pessoas acidentalmente através de radiações emitidas por uma cápsula que continha a substância. No abalo causado pelas mortes e dezenas de vítimas graves, o césio-137 passou a ser visto como um perigoso assassino, por conta de uma desastrosa sucessão de erros que levou à remoção daquele estranho material de belo brilho azulado da segurança de seu invólucro de chumbo, onde foi enclausurado para cumprir a missão de ajudar a salvar vidas, não tirá-las.
Diante dessa preocupação e da inutilidade dos tubos armazenados em Bauru, eles serão removidos. De acordo com o vereador e médico Paulo Eduardo de Souza (PSB), que integra uma comissão no HE que cuida do assunto, os tubos foram doados pelo Hospital Pérola Byington, na Capital, para realização de tratamento para câncer de colo de útero, quando o Hospital Manuel de Abreu era administrado pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Entretanto, o material não chegou a ser usado.
“O tubo não é suficiente. É necessário um instrumental para o tratamento. Infelizmente, esse instrumental ganho veio incompleto. De qualquer forma, os tubos estão embalados, num lugar correto, mesmo porque trata-se de segurança nacional. Basta ver o acidente de Goiânia. A responsabilidade disso é de um físico-médico. Não oferece risco”, afirma o parlamentar.
Segundo o socialista, o transporte dos tubos exige aparato de segurança adequado. “A nova empresa que está assumindo a radioterapia e o Hospital Estadual já se incumbiram de dar um fim legal e adequado a esses tubos. Eles serão levados, creio que dentro de uma semana, para o Ipen, que fica em São Paulo.”
CPI
A radioterapia do Hospital Manuel de Abreu, em Bauru, é alvo de investigação da CPI do Erro Médico, da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Na reunião da semana passada, o deputado estadual José Bittencourt (PDT), que preside a comissão, aprovou e despachou requerimento que pede a convocação da diretora da Divisão Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), Doroti da Conceição Vieira Alves Ferreira, para depor na Casa.
A responsável pela DRS-6, que responde pela região de Bauru, irá fornecer informações a respeito do tratamento de radioterapia, realizado na instituição, em que pacientes teriam sido vítimas de queimaduras durante as sessões, no período em que a cápsula usada no equipamento estava vencida. A oitiva está marcada para amanhã, às 11h.