O prédio da igreja de Santa Teresinha, uma das mais tradicionais da cidade, foi interditado ontem por decisão do Conselho de Presbíteros da Diocese de Bauru. A medida foi tomada com base em um laudo solicitado pela própria diocese à empresa de engenharia M.S. Tecnologia e Consultoria, que apontou graves falhas na fundação do prédio. As obras estruturais e de restauração devem custar R$ 2 milhões e não tem data para começar.
Segundo Eric Fabris, engenheiro responsável pelo laudo, a fundação da igreja é muito rasa, fica há apenas 1,8 metro de profundidade da superfície, quando o ideal seria, no mínimo, mais de 6 metros. Com a infiltração de água no solo, a estrutura cedeu provocando rachaduras, inclinação das paredes no sentido externo e, com isso, a necessidade de avaliar a estrutura do telhado, que poderia ceder devido ao movimento das paredes.
“Há dois anos fizemos uma medição do muro e das paredes e elas estavam desaprumadas. Agora fizemos uma nova medição e isso aumentou. Teve ponto em que a evolução chegou a 400%. A inclinação máxima para que comecem a ter danos na estrutura é de 0,5%. Algumas paredes da igreja atingiram 1% de inclinação”, explica o engenheiro.
Fabris acrescenta que, diante das informações constatadas, a interdição foi uma medida acertada da Diocese. “Foi um ato de bom senso. A deformação das paredes pode estar provocando a perda de sustentação do telhado e isso pode ser um risco grande”, comenta.
Para resolver somente problema estrutural da paróquia, se faz necessária a execução de fundações profundas com aproximadamente 12 metros e a inserção de blocos apoiando as paredes. O tempo estimado para a conclusão da obra é de seis meses, mas não há previsão para o início dos trabalhos.
O bispo dom Caetano Ferrari explica que o prédio é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) desde outubro de 2002 e, por isso, qualquer alteração precisa ser aprovada pelo órgão. Além disso, já havia um projeto de restauração da igreja, aprovado pelo Codepac e Ministério da Cultura em 2003, e ele deve ser concluído antes que outra obra seja executada no local.
No entanto, a restauração nunca começou, pois o projeto seria realizado por meio da lei Rouanet. Segundo uma determinação do Ministério da Cultura, para que as obras tivessem início, a paróquia teria que arrecadar por meio de doações R$ 370 mil, o que equivale a 20% do valor total da reforma, orçada em R$ 1,7 milhão. Como a igreja arrecadou apenas R$ 300 mil, a obra não foi realizada e a conta bancária na qual estão depositados os recursos arrecadados está bloqueada.
“A obra total da igreja, incluindo a restauração, iria custar cerca de R$ 2 milhões. O que nós queríamos é que liberassem o dinheiro que está na conta para a gente fazer pelo menos a fundação, que custa R$300 mil. Não tem como pensar em pintar parede se a fundação precisa de reforço”, diz dom Caetano.
A estratégia da diocese é insistir na liberação da verba do projeto anterior, mas o próprio bispo reconhece que a burocracia dificulta o procedimento. “O projeto encaminhado em 2003 está obsoleto, a realidade agora é outra. Mas, mesmo assim, o Ministério da Cultura não quer liberar a verba, querem que o primeiro projeto seja concluído”, alega.
Caso o montante realmente continue bloqueado, dom Caetano pretende pedir ajuda às autoridades locais e aos fiéis para arrecadar recursos e pressionar o Ministério para que a verba seja liberada. Por enquanto, a igreja permanecerá fechada e as cerimônias litúrgicas serão celebradas no salão paroquial, localizado atrás da paróquia, na Praça Rodrigues de Abreu, 2-55.
“Resolvemos fechar para não colocar os fiéis em risco. Sei que havia vários casamentos marcados até o final do ano, mas o padre conversará com os noivos e as cerimônias poderão ser feitas em outras igrejas ou até no salão paroquial, se o casal preferir”, finaliza o bispo.
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História
Idealizada pelo padre João Van der Hulst, a Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus foi inspirada na planta do arquiteto holandês João Stiit. A construção teve início em outubro de 1931 e foi inaugurada em 15 de novembro de 1934, como a principal igreja católica de Bauru, pois era maior do que a matriz e traz na sua arquitetura a influência do estilo neogótico.
Em 28 de dezembro de 1952, por decreto do então bispo diocesano, a igreja passou à condição de paróquia. Em 1962 e 1965 o local passou por pequenas modificações. Na década de 80, as paredes externas foram revestidas por quartzo.
Atualmente, as fachadas são compostas por amplos vitrais com alvenaria entrelaçada. Os espaços interiores são bastante ricos e a cobertura do edifício é de telha francesa sobre estrutura de madeira de grande declividade, o que reforça a verticalidade e a beleza do conjunto. A Igreja de Santa Teresinha pode ser vista à distância num grande raio de ação. Durante anos, ela exerceu papel preponderante por causa da demolição da matriz ocorrida duas vezes.