Iacanga - O diretor municipal de Educação da prefeitura de Iacanga, Valdir de Carli, não foi contemplado com casa popular pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no sorteio realizado no município. O nome dele foi apontado por denunciantes de que constava na lista dos 181 sorteados, mas a reportagem apurou que não há o nome dele na lista e nem de parentes dele.
Na edição de 21 de outubro, o JC divulgou com base em informações de mutuários desclassficados no sorteio que o diretor era um dos beneficiados. Ele também foi acusado de receber salário superior a R$ 4 mil, mas não recebe os vencimentos neste valor. “O salário publicado não corresponde à realidade. O valor publicado está bem acima do teto pago pela prefeitura”, afirma.
“Eu tenho casa própria. E de acordo com os critério da CDHU, não poderia nem me inscrever para participar. Essa condição já elimina os candidatos ao benefício”, explicou o diretor.
Para ele, a denúncia é sem fundamento. Carli confirma que trabalhou durante o sorteio, organizando a fila e orientando os participantes.
De acordo com o diretor, os candidatos preenchem os formulários e destacam o volante com nome do mutuário, do qual é depositado em uma das três urnas. Uma é destinada a idoso, outra a quem recebe até três salários mínimos e a última para quem ganha de três a dez salários mínimos.
O diretor explicou que a urna é de acrílico e transparente justamente para a população verificar que estão vazias antes do início do processo para prevenir contra fraudes.
Segundo ele, em seguida os representantes da CDHU fazem o sorteio, sem qualquer interferência da prefeitura. “Mais de duas mil pessoas acompanharam o sorteio, não tem como fraudar”, destaca Carli. Posteriormente, o cadastro de cada candidato sorteado é analisado por técnicos da CDHU, de acordo com o diretor. “Caso fique constatado que os participantes possuam imóveis, eles são eliminados e é convocado um suplente”, disse.
“O envolvimento de meu nome prejudica tanto a mim quanto a prefeitura. É uma inverdade que me inscrevi. Isso coloca em cheque a honestidade da prefeitura e de todo o processo desenvolvido pela CDHU, que é justamente feito de forma a conter qualquer direcionamento”, destaca o diretor.
Além disso, ele contesta a avaliação feita pela reportagem de que seria imoral a participação do vereador Cléber de Alcântara Nacibem, que foi um dos contemplados. “Ele é casado, tem dois filhos, não possui casa própria e ganha menos de 10 salários mínimos. Portanto, está dentro das exigências para participar do processo. Além disso, ele se inscreveu antes de ter sido eleito vereador”, observa Carli.
Ele rebate a mesma avaliação feita sobre um parente do diretor de Turismo, Wilians Rulfato. Na verdade, não teria sido o irmão de Rulfato a ser contemplado no sorteio, mas sim a sua cunhada. “Ela também se enquadra nas exigências do programa”, justifica o diretor.