Jaú - O setor calçadista de Jaú (47 quilômetros de Bauru) está se mobilizando junto a entidades de classe e política para conter a alta no preço do couro que, no último mês, já aumentou em até 20% para o produto acabado. Matéria-prima para a confecção de sapatos, a alta pode estar sofrendo influência direta da retomada da economia internacional ou ainda, da fusão de dois grandes fornecedores, o Frigorífico Bertin e Friboi, avalia o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú, Giovani de Carvalho Costa.
Para ele, se a situação persistir poderá refletir no preço dos calçados a partir do próximo ano. “A pressão no preço do custo pode refletir no produto final. Pode haver uma elevação no preço dos calçados. Os acréscimos ocorreriam para a próxima estação, a partir do próximo ano. Ainda não há preocupação com demissões no setor.”
Costa ressalta que a pressão sobre o couro, principal matéria-prima do segmento, ocorre exatamente no momento que o setor precisa retomar as atividades. “A pressão é desfavorável, por isso a nossa preocupação. Está passando a crise externa e há uma recuperação do setor. Essa pressão no custo prejudica as empresas.”
Para superar o ‘susto’, o setor está procurando entidades e a classe política para estancar a alta. “Na última sexta-feira, o setor reclamou junto ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf. Pedimos para que ele acompanhe se a alta está sendo influenciada pelas fusões ou se o aumento está ligado a possível retomada das exportações.”
Segundo Costa, as indústrias moveleira e automobilística internacional retomaram a importação de couro do Brasil, ao mesmo tempo em que ocorreram as fusões. “Por isso, não temos um quadro definido. A gente não sabe qual é o fator de influência. Queremos que a Fiesp apure o que está acontecendo e, se possível, estancar a elevação no preço da matéria-prima. Estamos aguardando o desenrolar das coisas.”
O deputado federal José Paulo Tóffano (PV), na condição de vice- presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Coureiro-Calçadista e Moveleiro, foi em busca de uma explicação para a alta do couro e constatou que, após a fusão do Bertin e Friboi, houve aumento. “O deputado é contra um possível monopólio do couro. Ele notificou os órgãos responsáveis pela questão comercial dizendo que não aceitará um possível monopólio do couro no Brasil, possibilidade que ocorre após a fusão das duas empresas” explicou.
A posição do parlamentar é em defesa das cidades paulistas que têm sua economia baseada no setor calçadista: Jaú, Birigui, Franca e Santa Cruz do Rio Pardo. “O setor calçadista é um grande gerador de empregos e não pode ser prejudicado em um momento marcado pela retomada do crescimento após a crise. A alta do couro traz prejuízos ao setor.”
Para o deputado, o comércio do couro sob controle de poucas empresas, pode ter seu preço facilmente majorado. “Depois do anúncio da fusão entre as empresas, o couro industrializado subiu cerca de R$ 5,00 o metro quadrado em apenas uma semana. Caso fique comprovada a formação de monopólio, vamos cobrar providências”, finaliza o deputado.