A noite do feriado de Finados e madrugada de ontem foram violentas na cidade, com dois homicídios. Um deles aconteceu na Vila Souto, onde uma mulher foi morta por volta de 22h. O acusado é o namorado dela. O outro, pouco antes das 3h de terça-feira, foi a execução, com três tiros, de um morador do bairro Santa Fé. Provavelmente, de acordo com a polícia, a morte foi em decorrência de uma briga de trânsito. Em ambos os casos, os autores estão foragidos.
O primeiro crime ocorreu na Vila Souto, onde a manicure Vanessa Vigido, 33 anos, foi morta com uma facada no pescoço, a princípio. O acusado, Rodrigo Pereira de Andrade, de acordo com testemunhas, teria assumido a culpa pela morte da namorada em telefonemas para um amigo e para a irmã, para quem teria confessado: “Eu matei minha namorada, mas não precisa esquentar a cabeça comigo”, teria dito o acusado em ligação para a familiar, de acordo com registros policiais. Tanto a irmã de Andrade quanto o amigo, que também recebeu o telefonema, afirmam desconhecer o paredeiro do acusado.
Uma testemunha chamou a polícia após ter ciência de que o segurança havia cometido o crime. Policiais foram à casa da vítima, onde encontraram Vanessa morta, caída em um dos quartos, ao lado da cama. Debaixo do corpo ensangüentado os policiais localizaram uma faca, possivelmente utilizada no crime. O objeto, também sujo de sangue, foi apreendido e encaminhado para perícia.
Segundo familiares da vítima, Vanessa e Andrade viviam um romance conturbado. Pessoas próximas à manicure afirmam que ela e o segurança brigavam constantemente, com freqüentes separações e reates.
De acordo com uma das três irmãs de Vanessa, Andrade era um namorado ciumento e, diz a familiar, tentava a todo preço manter um relacionamento já desgastado, a contragosto da manicure. “Ele queria, mas ela não queria mais namorar”, testemunha Valquiria Vigido Aud, irmã da vítima, ao lembrar que o casal chegou a morar junto no período aproximado de um mês.
Parentes e amigos dizem que Vanessa, conforme o namoro foi se desgastando, evitava falar das brigas com o namorado para pessoas próximas. “Falávamos várias vezes para ela que isso (namoro com Rodrigo) não daria futuro nenhum. Mas eles brigavam, ele pedia desculpas e voltavam. Ela não queria mais, mas ele não a deixava em paz”, desabafa a familiar.
“Ele chegou a arrumar um emprego para ela como segurança, no mesmo lugar onde trabalhava. Mas, após a primeira briga, ele mesmo tirou o trabalho dela. Ele deveria ter é saído da vida dela”, lamenta a comerciante Audrey Oliveira Freneda, amiga de Vanessa.
O corpo da manicure foi enterrado ontem à tarde, no cemitério do Jardim Redentor. As investigações do caso estão por conta da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Este crime, somado ao assassinato ocorrido no bairro Santa Fé, é o 26º caso de homicídio do ano em Bauru, dois a menos que o total registrado no mesmo período do ano passado. Até o final de 2008 foram registradas 35 mortes violentas, conforme levantamento feito pelo JC.
Contabilizado o homicídio da semana passada, quando o jovem Rodrigo Matheus, 20 anos, foi executado a tiros em frente à casa onde morava, no bairro Ferradura Mirim, são três as mortes violentas registradas na cidade no período de cinco dias.
Discussão e tiros
No caso registrado por volta das 3h de ontem, Welinton de Souza Rodrigues, de 24 anos, foi morto com três tiros na casa onde morava, no bairro Santa Fé. Segundo testemunhas, ele foi baleado após discutir com diversos indivíduos, ainda não identificados pela polícia, em frente à moradia.
Na tarde anterior ao crime, Welinton havia se envolvido num acidente de trânsito com um ciclista, na região do núcleo habitacional Fortunato Rocha Lima. Após um abalroamento entre o veículo que dirigia com uma bicicleta, houve discussão entre o ciclista e um primo de Welinton, que estava no mesmo carro. Ainda de acordo com registros policiais, o parente da vítima, identificado apenas pelo apelido de “Mancha”, teria agredido o ciclista.
Testemunhas acreditam que as pessoas que foram à casa da vítima, na realidade, estariam em busca do primo de Welinton. Apesar da hipótese de vingança, o delegado Cledson Luiz do Nascimento, adjunto da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), apura as circunstâncias do crime. “A discussão de trânsito é uma hipótese para a origem do crime, mas ainda é cedo para adiantarmos algum tipo de conclusão”, pondera o policial.
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Facada na mão
Na manhã do Dia de Finados, o jovem Adão Simão da Silva, 24 anos, foi agredido com um golpe de faca na mão esquerda, desferido, segundo a vítima, por desconhecidos. Ele conta, em registro da polícia, que caminhava pela rua Floresta, no Parque Vista Alegre, quando foi abordado por dois homens a bordo de uma motocicleta.
Sem mais motivo aparente, de acordo com a vítima, um dos indivíduos passou a agredi-lo, momento em que um deles sacou uma faca e deu um golpe em sua mão. Em seguida a dupla fugiu, a princípio, sem roubar nada. A vítima passou por cuidados médicos no Pronto-Socorro Central, de onde foi liberada no mesmo dia.
O rapaz afirma não ter conseguido anotar a placa do veículo, o qual ele não se lembra a marca, recordando apenas que a moto utilizada pelos agressores era de cor vermelha.