Regional

Prefeitura de Pirajuí garante que não deixará fechar Sta.Casa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Pirajuí - A Santa Casa de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru) pode enfrentar uma crise institucional e financeira no próximo ano, mas a prefeitura garante que a instituição não fechará suas portas, ainda que eles tenham que assumir. Duas reuniões foram feitas nas últimas semanas e há duas saídas para evitar o fechamento. Uma delas é que a administração da Santa Casa seja repassada para o frei Francisco Belotto, que já administra entidades no Interior Paulista. A outra possibilidade é da prefeitura assumir, segundo a vice-prefeita, Juliana Rebolo Nagano dos Reis. “A certeza que nós temos é que a Santa Casa não vai fechar. O prefeito Jardel de Araújo não vai deixar.”

A vice faz questão de ressaltar que não há uma disputa entre a prefeitura e o religioso. “Nós só assumiremos se o frei não assumir. Ele prometeu dar uma resposta definitiva após o dia 10 de novembro, data em que se reunirá com o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata.”

Segundo Juliana Reis, o frei teria dito que só com uma subvenção do Estado é que assumirá a Santa Casa. Ele não foi localizado para falar sobre o assunto. Segundo as funcionárias das instituições que ele administra, o religioso está ministrando cursos e mantém o seu aparelho celular desligado.

De acordo com Juliana Reis, o religioso tem uma OS (organização social que funciona como uma ONG). Eles recebem recursos do Estado para administrar essas instituições. “Para que o frei ou a prefeitura assuma, há necessidade da irmandade fazer a doação.”

Para ela , a instituição não enfrenta problemas financeiros graves. “A dificuldade financeira afeta diretamente a Santa Casa e não o Pronto-Socorro (PS) com o qual mantemos um convênio. O provedor alega ter um déficit por conta da alta de custo de medicamentos e serviços.”

O PS, segundo ela, fica no interior do hospital, mas não teria ligação direta com a entidade. “O Pronto-Socorro atende Pirajuí, Balbinos, Presidente Alves e Reginópolis. Na última reunião somente Pirajuí e Regionópolis estavam fazendo os repasses mensais em dia. Na semana passada, me parece que Balbinos acertou os atrasados.”

A prefeitura de Pirajuí faz um repasse mensal de R$ 57,5 mil. “Nós temos um orçamento de terceirização de serviços. Se o PS fosse fora de lá, o valor que teríamos que reembolsar para manter os serviços era de R$ 51 mil. Temos esse convênio que é bom para os dois lados.”

P. Alves

A prefeita de Presidente Alves (56 quilômetros de Bauru), Sandra Regina Sclauver de Andrade, assumiu ontem que estava em dívida com o Pronto-Socorro de Pirajuí. “Estamos fazendo o repasse hoje (ontem) de dois meses. Estávamos em débito realmente.”

A prefeita explicou que os atendimentos no PS de Pirajuí são feitos durante a noite e madrugada. “Nossa unidade de Saúde funciona até as 22h.”

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Despesas crescem

A diretoria da Santa Casa alegou em um comunicado que os salários dos funcionários estão em dia, assim como o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Também diz que a primeira metade do 13º salário já foi pago e a outra parcela, que está reservada, será paga no dia 20 de dezembro. “Todos os compromissos referentes a medicamentos e materiais hospitalares estão em dia,” consta no comunicado.

A diretoria alega que comunicou, com antecedência, que a instituição pode passar por sérias dificuldades financeiras no ano que vem se não houver uma mobilização da sociedade juntamente com os representantes públicos (Federal, Estadual e Municipal).

“As nossas despesas giram em torno de R$ 105 mil para a manutenção do Pronto-Socorro e da Santa Casa, a nossa receita gira em torno de R$ 77 mil provenientes de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), atendimento particular, convênios e prefeituras municipais já descontados os honorários médicos. Tendo essa diferença de receita e despesa se acentuando devido a diminuição do pagamento do SUS e da alta de medicamentos e materiais, salários e plantões médicos, e também devido ao repasse do PS se manter fixo desde fevereiro de 2006.” Nos anos anteriores, segundo a Santa Casa, o governo estadual fez repasses de verbas, mas este ano não aconteceram novos repasses. “A Santa Casa é um organismo deficitário que tem um valor social inestimável pois atende a 90% de pacientes do SUS. Temos que nos unir para a manutenção do hospital. No dia 16 de novembro de 2009, a Irmandade da Santa Casa se reunirá juntamente com os organismos interessados para decidir.”

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