Política

Tobias discursa na AL e se diz traído

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 3 min

Em seu primeiro discurso sobre o escândalo na Associação Hospitalar de Bauru (AHB), na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o deputado Pedro Tobias (PSDB) disse ontem que foi traído pela cúpula da entidade, lamentou as denúncias, admitiu ter amizade com seus diretores e falou que foi inocente por não enxergar a situação. A diretoria da AHB é investigada desde fevereiro deste ano por desvio de verbas, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços.

O pronunciamento foi transmitido, ao vivo, pela rede legislativa da qual a Assembléia paulista faz parte, com o sinal transmitido pela TV Câmara em Bauru. “Há uma cultura de corrupção no Brasil. Eu ajudei bastante esse hospital. E foi meu amigo. É uma pena. Porque é como falam, alguém passa 20 anos casado e descobre que foi traído. É por isso que venho publicamente fazer um apelo para que o Ministério Público e a Justiça apurem esse caso para valer. Tem que punir exemplarmente. Quem rouba dinheiro público da saúde é miserável, pior do que bandido do Primeiro Comando da Capital (PCC)”, disse.

O discurso em tom de desabafo na tribuna da AL foi feito uma semana depois que a Polícia Federal desencadeou a Operação Odontoma e prendeu temporariamente diretores da associação, sendo alguns dos acusados ligados ao deputado. Foram detidos e liberados 24h depois Joseph Saab, presidente da associação há 14 anos; Marcelo Saab, dentista e filho do presidente; Vladmir Scarpp, superintendente e diretor financeiro; Samuel Fortunato, diretor técnico e responsável pelo setor de compras; Célio Parisi, conselheiro; e Maria Lúcia Lopes Saab, supervisora de serviço de apoio e cunhada de Saab.

A operação tem como objetivo investigar irregularidades envolvendo a destinação de R$ 16 milhões obtidos em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal (CEF), origem de honorários pagos aos cirurgiões dentistas da equipe de bucomaxilo, aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra e utilização de materiais cirúrgicos na AHB. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual também participa das apurações.

Durante cinco minutos concedidos para uso da Tribuna da Assembléia, o tucano pediu desculpas à população publicamente. Entretanto, não citou o fato de ter em seu gabinete como atual assessor parlamentar, o ex-superintendente da entidade, Reinaldo Silvestre Rocha, que também é tucano. Foi na gestão de Rocha, que terminou no final do ano passado, que ocorreram o empréstimo de R$ 16 milhões e o pagamento de supersalário de até R$ 35 mil mensais a Marcelo Saab, filho do presidente da AHB, além de fraudes em fichas de atendimentos para tentar amparar o recebimento de verba SUS no setor de bucomaxilo da AHB.

Pedido ao secretário

O deputado comentou que o episódio é pior que outros gêneros de corrupção, por se tratar de recurso público da área da Saúde.

“Lamento muito. Esse tempo todo fui inocente, bobo, não enxergava as coisas. Por isso, não tenho outras palavras. O poder público deveria tomar providências, em especial o Poder Judiciário, para apurar tudo. Dei o recado. Estou falando publicamente: tem que apurar fundo e tem todo meu apoio. Peço desculpas à população que foi enganada. A gente precisa falar, porque lugar de bandido é na cadeia”, discursou o tucano.

Tobias pediu ao secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, que iniciasse uma investigação técnica a respeito do assunto, uma vez que o Estado mantém convênio com a associação para administração dos hospitais de Base e Maternidade Santa Isabel. O tucano também defendeu a estadualização do complexo hospitalar com fiscalização permanente. A assessoria de imprensa da secretaria informou que, por enquanto, não irá se manifestar sobre o caso.

“A meu ver, o Estado é quem deveria tomar conta do HB. Do jeito que está, não deu certo. Como eu falei várias vezes, eu a favor de organizações sociais, mas o Estado precisa controlar, fiscalizar. Estão ficando alguns hospitais sem controle. Quem rouba paciente, quem rouba o Sistema Único de Saúde (SUS), não merece ter respeito.”

O deputado votou a favor do projeto de lei que permite que todos os hospitais públicos da rede estadual sejam dirigidos por OSS (organizações sociais), mas argumenta que defende o modelo de gestão com fiscalização do Estado

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