Mesmo com o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no preço dos automóveis zero quilômetro, as concessionárias de Bauru não alteraram os preços praticados até setembro para continuar mantendo o setor aquecido. A estratégia, segundo os estabelecimentos consultados pela reportagem, é absorver parte do valor do tributo para não onerar o consumidor ou dispor de unidades previamente estocadas para atender a demanda existente.
Medida do governo federal que entrou em vigor na segunda quinzena de dezembro do ano passado, a redução do IPI provocou recorde de vendas em setembro, o último mês de sua vigência. Desde então, o tributo voltou a ser aplicado de forma gradativa.
Em outubro, a alíquota para veículos com motor 1.0 foi de 1,5% e, neste mês, de 3%. Em dezembro será de 4,5% e, em janeiro do próximo ano, volta à taxa normal de 7%.
E, mesmo após o término deste prazo, é possível que os preços dos automóveis não sofram elevação significativa, de acordo com o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sergio Reze. Para ele, a alta nas vendas e a conseqüente produção maior pode fazer com que as montadoras absorvam custos e compensem o fim do desconto do IPI.
“Mesmo com a retirada do IPI em sua totalidade, o País deve continuar convivendo com os mesmos preços de antes da crise”, diz Reze, ao divulgar uma queda de 5,17% nas vendas de automóveis e comerciais leves no mês de outubro, em comparação a setembro.
Em Bauru, a desaceleração do setor chegou a 16,3%, já que em setembro (mês atípico) foram emplacados 1.201 carros, ante as 1.005 unidades emplacadas no mês passado. No entanto, na comparação com outubro de 2008, houve crescimento de 16,7% nas vendas na cidade, demonstrando que o mercado automotivo continua em alta.
Estratégias
As concessionárias de automóveis, de fato, sentiram uma queda do movimento no primeiro mês após a volta da cobrança do IPI sobre os carros zero quilômetro. Em uma das lojas consultadas em Bauru a redução nas vendas chegou a 30% em relação à média do mês passado, quando os consumidores correram para aproveitar os últimos dias do desconto concedido pelo governo.
Para os comerciantes, os consumidores se retraíram mais por um efeito psicológico do que propriamente pelo reajuste de preços, que ainda não ocorreu integralmente. “A queda já era esperada, então fizemos um estoque alto no mês passado. E o acesso facilitado ao crédito e os prazos de pagamento estendidos colaboram para que o consumidor possa continuar a comprar com vantagens”, frisa o diretor comercial Osvaldo Machado.
Segundo ele, as estratégias para atrair os clientes, como primeira parcela a ser paga apenas em abril, devem reaquecer o setor em novembro.
Essa também é a expectativa do gerente de vendas de outra concessionária da cidade, Sílvio Carlos Gonçalves. Com a chegada do final do ano e conseqüente planejamento de viagens, as vendas no segmento, habitualmente, voltam a crescer. “Também é época de recebimento de 13º salário, então é natural que o fluxo de pessoas aumente na loja. A expectativa de crescimento para novembro, em relação a outubro, é de 10%”, comenta.
Para ampliar a prosperidade das vendas, a concessionária irá absorver a alta do IPI até o final deste mês. “Numa parceria que nós fizemos com a fábrica, vamos arcar com o IPI que já voltou a ser aplicado. Então, quem comprar um carro (popular) ainda vai encontrar a mesma condição de ‘IPI zero’ que estava em vigor oficialmente até setembro”, destaca.
Em outra concessionária da cidade, o gerente Isael Tuta Vitorino Ferreira afirma que os preços estão mantidos apenas para as unidades em estoque, mas salienta que as promoções de final de ano deverão superar o aumento do tributo e funcionarão como bônus para o consumidor. “O aumento ainda não foi definido para este mês. Mas a chegada do fim do ano, a isenção de IPVA, juros a partir de 1,34%, entre outras vantagens dadas pela loja, vão continuar fazendo a compra do carro valer a pena”, conclui.