Tribuna do Leitor

Indústria da multa?


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É impressionante como algumas pessoas passam recibo publicamente de sua falta de educação, de sua falta de respeito pelas normas da boa convivência social e do seu apreço pela impunidade. As freqüentes manifestações na coluna Tribuna do Leitor sobre a tal “indústria da multa” reivindicam o “direito” de desrespeitar as leis de trânsito impunemente. Os mais absurdos argumentos não faltam: as multas não educam, os radares ficam escondidos, o objetivo é somente arrecadar... E por aí vão. Como se uma simples advertência viesse a educar esses infratores contumazes, que querem, isto sim, afrontar as regras de trânsito com atitudes egoístas, muitas vezes colocando em risco a vida de inocentes.

Como se já não bastassem determinações claramente permissivas do Contran ao exigir, por exemplo, a colocação de placas indicando a presença de radares. Para que? Já não existem as placas de sinalização, que devem ser obedecidas por todos? Alguns chegam a ter a cara-de-pau de pedir que os postes dos radares sejam pintados para que possam ser visualizados mais facilmente. E o pior é que são atendidos.

Daqui a pouco os assaltantes também vão exigir que a polícia informe com antecedência onde estarão atuando para que eles possam “trabalhar” tranqüilamente. Não dá para admitir que uma pessoa minimamente alfabetizada ignore que não pode ultrapassar o limite de velocidade indicado, estacionar em lugar proibido, convergir à esquerda em local proibido etc.. Educar é função dos pais, não de guarda de trânsito. Estes, se conseguirem punir os infratores já estarão prestando um grande serviço à sociedade, pois para falta de educação no trânsito só existe uma solução: punição. Ou será que nos países onde se respeitam as leis todos estão unicamente pensando no bem comum? É claro que o nível de educação e conscientização é bem maior que por aqui, mas o que mais pesa mesmo é a certeza da punição.

Luiz Alberto Coradi - engenheiro agrônomo

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