Política

Servidor terá café gourmet de R$ 14,50

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O cafezinho do servidor público passa a ser diferenciado a partir de agora, com a aquisição pela Prefeitura de Bauru de até seis toneladas de café especial, tipo gourmet, com exigência de certificação ambiental, livre de agrotóxicos e análise sensorial da qualidade. O inconveniente é que para aderir ao produto eco-compatível a administração municipal vai ter de pagar R$ 14,50 o quilo. Em 2008, a prefeitura consumiu 9.201 quilos do produto.

É o que ficou definido no registro de preço com validade até setembro de 2010, onde a empresa declarada vencedora, a J. Brilhante Comercial Ltda ME, se compromete a entregar o produto da marca Itamaraty Gourmet dentro das especificações tipo exportação exigidas no edital.

O secretário Municipal de Administração, Renato Gragnani, argumenta que o governo buscou café com certificado de produção dentro dos padrões ecológicos como requisito essencial, com programa de gestão ambiental e de responsabilidade social. “Nós adotamos o café especial dentro da política municipal de buscar produtos ecológicos. O mesmo vai acontecer com o papel que será reciclado e outros produtos como a madeira legal”, disse.

Como o nível de excelência do produto tem relação direta com o custo-benefício, o secretário justifica que a compensação pelo valor maior que o produto comum, servido até então, virá da economia no consumo, apesar do cafezinho especial, em tese, estimular servidores a frequentar mais vezes cozinhas e refeitórios das repartições. “Eu determinei a todas as secretarias a redução em 40% no consumo para 2009-2010, dentro do ano de validade da licitação, com base no consumo do ano passado, que foi de 9.201 quilos de café. Por nós o café seria abolido da prefeitura, mas como não foi possível buscamos o café eco, sem agrotóxico, com exigência de redução no consumo”, conta Gragnani.

O que o secretário não se certificou é que o consumo de café na prefeitura já sofreu cortes no governo passado, encerrado em 2008. Tudo começou quando o então chefe de Gabinete da prefeitura, Paulo Canalli, quis abolir o cafezinho como medida de contenção de despesas. São conhecidos os casos de servidores que fizeram “vaquinha” para comprar o pó e de outros que levaram até garrafas térmicas de casa.

Consumo

Para conseguir a meta de 40% a menos de consumo, o secretário Gragnani disse que vai controlar os pedidos a partir das autorizações de solicitação direto no sistema interno. Ou seja, o servidor que está acostumado com o cafezinho para aquele bate-papo no intervalo e o que vier a se entusiasmar com o produto tipo exportação que vai chegar às repartições públicas que não se anime. “Apesar do preço maior que o produto comum do mercado, a despesa não vai importar em gasto maior porque vamos controlar para ter a redução exigida no consumo, controlando a despesa final mesmo com o café gourmet”, garante.

Segundo o governo, a primeira licitação pediu café superior, com os mesmos requisitos ambientais do café especial. Mas como o certame foi fracassado (ninguém apareceu), foi necessário inserir também a possibilidade da entrega do tipo gourmet. Daí, oito empresas apareceram e, destas, quatro foram habilitadas. De acordo com o edital, o produto deverá possuir Certificado de Qualidade de acordo com o Programa de Qualidade do Café ABIC, comprovado através da apresentação do respectivo certificado, ou possuir outro tipo de certificação, em caso de café tipo exportação.

Conforme Gragnani, que retornou para o Brasil no início deste ano para assumir a secretaria após trabalhar em multinacional na Itália exatamente no ramo de café, o tipo gourmet “é um café selecionado, onde o produto passa por uma série de processos, como a seleção ótica que elimina os grãos com defeito”.

Ainda sobre a escolha do café superior, o secretário conclui: “O valor registrado em ata está dentro da pesquisa de preço de mercado efetuada para o produto perseguido, sendo certo que seu consumo será reduzido no patamar de 40% em relação ao ano passado, em conformidade com estudo feito pelo Grupo de Gestão Ambiental, no início do ano, não gerando, portando, aumento de gasto para a PMB. Por outro lado, a aquisição de cafés certificados contribui não só para o aumento da qualidade do café produzido, mas da própria sustentabilidade em si, sempre levando em consideração o respeito à sociedade e ao meio ambiente”, disse.

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Eco-compatível

De acordo com a literatura sobre café, para classificar o tipo como “gourmet” são observadas características como o tipo de grão (especial), produzido com base em padrões de qualidade acima da média; o tempo de torrefação que é mais curto e o preparo - que deve ser feito por pessoal qualificado.

Ou seja, agora que aderiu ao café eco, o governo municipal também tem de capacitar os responsáveis pelo preparo para que os apreciadores retirem do tipo gourmet toda a superioridade que ele pode oferecer. Dizem que até a salinidade e PH da água teriam de ser levados em conta para o alcance do ponto máximo de sabor. O que é certo é que, pelos informes do ramo em sites específicos, se o preparo também não for especial, o prazer não virá ao paladar e a essência ficará apenas no preço mais salgado (R$ 14,50 o quilo comparado com os comuns, mais baratos para a prefeitura). Os dados adicionais são que o café gourmet é definido como especial, está relacionado a grãos de café arábica de alta qualidade, produto diferenciado e quase livre de defeitos.

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