O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem que a prefeitura tem condições de assumir a gestão do Hospital de Base (HB) e da Maternidade Santa Isabel, que atualmente é feita pelo governo do Estado mediante convênio com Associação Hospitalar de Bauru (AHB). Entretanto, o chefe do Executivo não tem interesse de municipalizar a administração da unidade hospitalar.
“É claro que não vamos fugir dessa atribuição se for, enfim, repassada para nós. Mas não temos interesse em assumir. Existe uma demanda muito grande e questões para resolver na rede pública de saúde. Não tem por quê a gente querer assumir e abraçar o mundo, toda a rede pública de saúde de Bauru”, disse.
Na última sessão do Legislativo, vereadores da base do governo chegaram a defender que o município assuma a gestão das verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), em detrimento ao modelo atual mantido pelo Estado, de remunerar os recursos através de entidades como a AHB.
A concentração de recursos nas mãos de entidades, por terceirização, foi trazida à tona no plenário após os escândalos envolvendo a diretoria da AHB, que é investigada desde fevereiro deste ano por desvio de verbas, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços.
O prefeito afirmou que não é contra a municipalização, mas vê o assunto com cautela. “Estamos investindo pesado no Programa de Saúde da Família e no Programa de Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). Acho muito difícil a prefeitura, nesse momento, assumir essa atribuição.” Atualmente, a Secretaria Municipal de Saúde está licitando a conclusão das obras da UPA do Núcleo Mary Dota, da Vila Ipiranga e Jardim Bela Vista.
Para Agostinho, o município teria condições de assumir a gestão do hospital. “Não vejo problema. Só que agora a minha prioridade é colocar as UPAs em funcionamento. A prefeitura tem know-how, tem uma gama muito boa de profissionais que atuam na saúde que poderia tranqüilamente tocar isso. O problema é a gente assumir mais uma atribuição se a gente não dá conta do que a gente tem”, afirmou.