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Cury instiga jovem a ‘assumir’ futuro

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

Com mais de 20 livros em seu currículo e milhões de exemplares vendidos no Brasil e no mundo, o psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury, em entrevista exclusiva ao Jornal da Cidade, falou sobre sua paixão pela mente humana e a preocupação sobre a geração de jovens que tem como missão salvar o futuro do planeta.

Atualmente são 10 milhões de livros vendidos pelo mundo. “E eu sempre questiono por que as pessoas me lêem tanto”, questiona em tom de brincadeira.

Para ele, o conhecimento adquirido em sua carreira médica proporcionou a capacidade de fazer seu público compreender suas teorias. “Creio que, com muita humildade, escrevo sobre temas universais. Seja nos meus livros de ficção ou não ficção. Como psiquiatra e psicoterapeuta, eu lidei muito com a dor humana. Também estudei o comportamento humano como pesquisador da psicologia e acho que toda essa bagagem tem me dado subsídios para escrever sobre o pequeno e infinito mundo da mente humana”, diz.

Essa cumplicidade com o leitor arrebata uma legião de seguidores. “Acho que as pessoas se vêem quando me lêem”, avalia. Nas quase duas horas das palestras que costuma dar, ele explica que oferece às pessoas ferramentas sobre como proteger a emoção e administrar os pensamentos. “Como abrir o leque da inteligência numa sociedade altamente competitiva”, destaca.

Sociedade que o autor critica por manter um sistema educacional que ele afirma ser falho. ”Valorizo o professor como um dos mais importantes profissionais, mas critico o sistema educacional que está formando repetidores de idéias. Porque não estimula a arte da dúvida como princípio da sabedoria e da filosofia”, observa.

Um dos exemplos que costuma dar é em relação à simples disposição dos estudante. “Os alunos ficam sentados enfileirados, o que gera trauma e inibição na expressão de pensamento. Na realidade, deveriam sentar em círculo ou em “U” para promover desde a mais tenra infância o debate de idéias e a consciência crítica. O método socrático deveria fazer parte do tecido educacional”, sentencia.

Isso acaba contribuindo para um problema descoberto pelo próprio psiquiatra, a “Síndrome do Pensamento Acelerado”. “Grande parte da população mundial é acometida por ela e em especial as crianças e adolescentes, que recebem quantidade exacerbada de informação. E isso estimula alguns fenômenos inconscientes de produzir pensamentos numa velocidade nunca antes vista”, explica.

Mas as informações não são elaboradas, gerando, de acordo com Cury, insatisfação crônica e irritabilidade. “E uma necessidade desesperadora de consumo, o que bloqueia as funções mais importantes da inteligência, como a capacidade de interiorização, de observação, criatividade, de se colocar no lugar dos outros e pensar antes de reagir. É o fast food intelectual”, afirma.

Propostas

Para “desacelerar” o cérebro das crianças e adolescentes numa época na qual a quantidade de informações recebidas é enorme, o psiquiatra sugere um tratamento mais pausado da educação. “Os adolescentes devem ser limitados da Internet. Além disso, deveria haver música ambiente na sala de aula, para desacelerar o pensamento e aliviar a tensão. Os professores e pais deveriam humanizar o conhecimento. Pais e professores que são manuais de regras e éticas estão aptos a lidarem com máquinas, mas não com seres humanos”, destaca.

Outro problema evidenciado por Cury é a necessidade do ser humano estar sempre em primeiro lugar. “Vivemos em ambiente que forma pessoas doentes para um sistema doente, que perpetua a paranóia de ser o número um. Mas ninguém consegue ser o número um sempre”.

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Carta aberta

A próxima obra do psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury deve ser lançada em breve. Com o título “De gênio e louco todo mundo tem um pouco”, ele avalia que as pessoas com potencial para a genialidade são tolhidas da sociedade. Além disso, alerta a juventude a se preparar para enfrentar os problemas ambientais do futuro.

“Seja pelos currículos acadêmicos rígidos ou pela sociedade que não aceita os diferentes, mais de 90% dos novos freuds, copérnicos e kants não chegam a brilhar no teatro social, porque não são compreendidos devido à falta de habilidade das relações humanas”, avalia.

Na nova obra, ele destaca que se dirige diretamente aos jovens. “Faço uma carta aberta à juventude em especial, que é a primeira geração onde os jovens foram calados, silenciados de dentro para fora, por causa do veneno do consumismo”, explica.

“Essa geração silenciosa evidencia que os jovens estão despreparados para receber o drama incoerente e psicótico que estamos arquitetando nessa era”, diz.

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