A Secretaria Municipal de Educação e a direção da escola municipal de educação infantil (Emei) Stélio Machado Lourenzo, localizada no Centro de Bauru, vão decidir amanhã, durante uma reunião com a presença de engenheiros da prefeitura, se o imóvel precisará ser interditado e as crianças remanejadas para outras unidades. É que a escola fica ao lado do prédio da igreja de Santa Teresinha, uma das mais tradicionais da cidade, que foi interditado no mês passado por decisão do Conselho de Presbíteros da Diocese do município, com base em um laudo que apontou graves falhas na fundação do prédio.
De acordo com o estudo realizado pela engenharia M.S. Tecnologia e Consultoria, a fundação da igreja é muito rasa, fica há apenas 1,8 metro de profundidade da superfície, quando o ideal seria, no mínimo, mais de 6 metros. Com a infiltração de água no solo, a estrutura cedeu provocando rachaduras, inclinação das paredes no sentido externo e, com isso, a necessidade de avaliar a estrutura do telhado, que poderia ceder devido ao movimento das paredes.
“Assim que a gente viu a notícia pela imprensa, oficiamos o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, pedindo uma avaliação, que fosse feita uma visita à escola, porque o assunto também nos preocupou”, afirma a titular da pasta, Majô Jandreice (PCdoB). Nessa semana, supervisoras do departamento estiveram no local e fizeram um levantamento da situação. “Pegamos documentos da igreja para analisar a questão. A gente está tentando resolver isso, enquanto não se tem um laudo mais técnico da situação.”
Segundo Majô, a direção da escola achou por bem restringir o funcionamento de algumas classes nessa semana até que se faça uma avaliação mais detalhada do assunto. “São as crianças que ficam mais no parque. É uma questão de segurança, mas não temos um laudo mais detalhado para dizer se o prédio terá de ser interditado ou não. A orientação que tivemos foi que se evitasse aquelas crianças que ficam no parque, que é a área mais próxima da torre. A Emei tem cerca de 70 crianças”, diz .
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) informa que o risco é pequeno. “Mas é uma questão de precaução. Os pais ficam preocupados.” Caso na reunião fique decidido pela interdição do prédio, os alunos terão de ser remanejados para outras emeis próximas, como a Garibaldo, no Jardim Santana, Wilson Monteiro Bonato, no Jardim Europa, ou ainda a Emeii Glória Cristina Melo De Lima, no Centro.
Igreja
A igreja de Santa Teresinha foi interditada no dia 26 de outubro para resolver problema estrutural da paróquia, com a execução de fundações profundas com aproximadamente 12 metros e a inserção de blocos apoiando as paredes. O tempo estimado para a conclusão da obra é de seis meses, mas não há previsão para o início dos trabalhos. As cerimônias litúrgicas estão sendo celebradas no salão paroquial, localizado atrás da paróquia, na praça Rodrigues de Abreu, 2-55.
“A torre está do lado da escolinha. Já o salão paroquial, que fica na rua 15 de novembro, está livre de riscos. Como a gente é vizinho, resolvemos avisar a direção da escola sobre isso”, afirma o padre Romildo Alceu da Silva. O prédio é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) desde outubro de 2002 e, por isso, qualquer alteração precisa ser aprovada pelo órgão. Além disso, já havia um projeto de restauração da igreja, aprovado pelo Codepac e Ministério da Cultura em 2003, e ele deve ser concluído antes que outra obra seja executada no local.
No entanto, a restauração nunca começou, pois o projeto seria realizado por meio da Lei Rouanet. Segundo uma determinação do Ministério da Cultura, para que as obras tivessem início, a paróquia teria que arrecadar por meio de doações R$ 370 mil, o que equivale a 20% do valor total da reforma, orçada em R$ 1,7 milhão. Como a igreja arrecadou apenas R$ 300 mil, a obra não foi realizada e a conta bancária na qual estão depositados os recursos arrecadados está bloqueada.