Tribuna do Leitor

Hospitais - Município ou Estado?


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Após gestões desencadeadas há seis meses, por razões que desconhecemos, eis aí expostas as vísceras que provocavam o odor putrefato da Associação Hospitalar de Bauru. Discute-se, agora, a apuração e punição dos culpados, além de se conjecturar sobre quem seria o gestor mais adequado para o futuro da instituição. Há uma divisão quase meio a meio quando se fala em Estado e município. Como médico do pronto- socorro não exito em me posicionar pela administração municipal. Por que? Muito simples: resolutividade. Há mais de 12 anos mudei-me para Bauru e, freqüentemente, dizia que a cidade possuía uma “organização” curiosa, reunindo no mesmo quarteirão três órgãos de saúde diferentes que não se entendem ou, no mínimo, não colaboram para solucionar os problemas do usuário do SUS. PS municipal, Ambulatório de Especialidades do Estado e Associação Hospitalar. Quem trabalha no PS sabe o quanto é difícil conseguir uma internação em algumas especialidades. Quem necessita sabe quanto tempo (anos) se demora para conseguir uma internação para cirurgia (quando consegue). Penso que, o município administrando, apara-se mais rapidamente as arestas e atinge-se mais rapidamente os objetivos em favor da população. Tudo é apenas uma questão de gestão junto aos governos, estadual e federal, bem como junto à sociedade civil local. Muitos dirão que “jogam a bomba na mão do município e depois esquecem de mandar verbas. Se eles se esquecerem, basta lembrá-los da obrigação e da próxima eleição. É uma simples obrigação do município, o gerir os recursos da saúde, bem como qualquer outro bem em favor da população.

Afinal, para isso foram eleitos. Talvez seja essa a hora de o município pegar a carona que a história oferece e conseguir uma conquista histórica para seu povo. É hora de se fazer cuidadoso estudo da situação para depois emitir-se um juízo de valores a fim de não se correr o risco de se arrepender depois. Se a gestão ficar por conta do Estado, nos omitimos e a população que arque com as conseqüências e o município lava as mãos. Contudo, se o município assume a gestão e mais tarde reconhece que o Estado não cumpre a sua parte, é muito simples: quem pensa em assumir agora, pode muito bem assumir no futuro se o município se mostrar incapaz de levar adiante a administração hospitalar. Ainda, por outro lado, penso que, em nível local, fica mais fácil resolver problemas pois o gestor fica aqui e a população terá muitos caminhos para cobrar: a Câmara Municipal, o Ministério Público, a OAB, sindicatos e outras representações de classe, associações de bairros, etc. Acho que é hora do município se debruçar sobre o quadro que apenas inicia seu novo desenho para a saúde local e decidir qual a posição a tomar.

Áureo Antonio Érnica - médico em Bauru

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