O risco de contaminação de bactérias através de roupas, sejam pessoais, de cama ou de centro cirúrgico é muito grande. Para evitar que o procedimento comprometa a saúde do paciente, segundo a enfermeira é preciso que cada tipo de roupa passe por uma espécie de assepsia. “As roupas são classificadas como leve e pesada. Colorida leve e pesada (que são as sujas de sangue e secreções). As roupas de centro cirúrgico e acamados demoram cerca de quatro horas para serem lavadas. A otimização foi feita por uma empresa e o processo não podia ser interrompido”, explicou
A denunciante lembra que a não entrega das roupas na velocidade esperada era motivo de questionamentos constantes. “Enquanto eu estive lá seguia o manual e as normas. Eles forçavam para que o enxoval ficasse pronto rápido. E eu reclama da falta de peças.”
De tanto reclamar pela falta de lençóis e outras peças de roupas, através de relatórios, a enfermeira foi chamada para uma reunião com parte da diretoria. “O dr. Samuel Fortunato e a Carla Ceppo (gerente) me chamaram para uma reunião com uma empresa que vendia tecido. Falei das necessidades e pedi tecido para a confecção das peças, uma vez que tínhamos costureiras. Eles compraram aqueles de mais baixa gramatura, pouca qualidade. Assim mesmo, depois de confeccionados, eles foram para a ala dos convênios e não para a ala do SUS. Eu falei para ele se os lençóis iriam para o pessoal do SUS e ele respondeu: dane-se o SUS. Foi a época que esses pacientes traziam até camisola de casa. Isso não pode acontecer, porque você traz e leva bactérias para o hospital e o risco de infecção aumenta.”
A pressão da diretoria, segundo ela, foi pior quando os ‘campos’ (tecidos usados na cirurgia) do centro cirúrgico foram acabando. “Tinha no máximo 16 campos para uma demanda de 30 a 40 cirurgias por dia. A pressão para eu devolver essa roupa para centro cirúrgico era muito grande. Pedia novos, mandei o pedido por escrito e eles nem ligavam.”