Ciências

Sociólogos e antropólogos querem participar mais da política de C&T

Gilberto Costa
| Tempo de leitura: 2 min

Em maio do próximo ano, o Brasil fará a 4.ª Conferência Nacional de Política Científica (C&T) e os sociólogos, antropólogos e cientistas políticos querem fazer uma “intervenção” maior no debate.

A maior participação dos cientistas sociais na agenda pública foi a tônica da abertura do 33.º Encontro Anual da Associação de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) que ocorreu em Caxambu (MG), no final do mês passado.

De acordo com a presidente da associação, Maria Alice de Carvalho, é preciso dar mais uma volta no parafuso da institucionalização da Anpocs e tornar a entidade, que é “uma federação de programas de pós-graduação” (87 no total), mais ativa na formulação de planos de ação de ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento. Durante o encontro, foi realizada uma sessão especial de debates sobre política científica.

Além da política de C&T, a Anpocs quer ter uma papel mais ativo na discussão sobre o ensino de sociologia no ensino médio, na reforma da universidade e tratar também da graduação.

“Nos preocupamos com o que acontece na pós-graduação, mas hoje a gente percebe que, se queremos fazer uma intervenção mais sistemática, teremos que discutir a graduação. Ela causa impacto nos outros níveis de ensino”, disse à Agência Brasil Cícero Araújo, secretário executivo da Anpocs.

De acordo com ele, a Anpocs também tem pouca informação sobre o aproveitamento dos cientistas sociais pós-graduados no mercado de trabalho. “Sabemos que hoje até os bancos de desenvolvimento precisam de mais cientistas sociais”. Aumentar o conhecimento sobre o destino dos cientistas sociais pode auxiliar na discussão das políticas de Estado.

Para o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Manuel Rebelo Fernandes, os cientistas sociais têm produzido conhecimento relevante para a formulação das políticas públicas brasileiras. Segundo ele, a Finep apoiará a Anpocs a ser um “interlocutora mais importante”.

O presidente da financiadora imagina uma agenda de pesquisas para os cientistas sociais sobre a mobilidade social, a ampliação de políticas públicas, os novos padrões de socialização e o papel do Estado como promotor do desenvolvimento.

A Finep e a Anpocs assinaram um convênio de R$ 680 mil para criar um portal eletrônico para as redes de pesquisa. O portal, que deverá entrar em funcionamento no próximo semestre, terá o acervo das pesquisas das ciências sociais brasileiras.

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