Política

Vereadores divergem sobre caso AHB

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 3 min

Os problemas relatados com exclusividade pelo JC na edição do último domingo, através de revelações de uma técnica de enfermagem que trabalhou oito anos na Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e foi demitida após denunciar irregularidade em procedimentos médicos e administrativos da entidade, causaram reações diferentes entre os vereadores, durante sessão de ontem do Legislativo. A diretoria da AHB é investigada por desvio de verbas, superfaturamento e cobranças indevidas de serviços.

Todos lamentaram as denúncias. Entretanto, membros do G7 (grupo de oposição) tornaram a pedir cautela nas manifestações públicas sobre o caso. Outros parlamentares afirmaram que a Câmara deve se posicionar em relação ao assunto e ainda atacaram o PSDB diante das declarações feitas na Assembléia Legislativa do Estado pelo deputado Pedro Tobias, que mantinha em seu quadro de assessores o ex-superintendente da AHB, Reinaldo Rocha. Nesta manifestação, o deputado tucano afirmou que não sabia dos acontecimentos.

“O fio do novelo está sendo puxado. Nomes estão aparecendo. Dizer ‘eu não sabia’ não serve. O que foi veiculado é grave. Os apadrinhados também têm de ser punidos. O papel dos vereadores é fiscalizar, estar bem próximo dos fatos”, afirma Fabiano Mariano (PDT). Mas para o demista José Roberto Segalla, este é um momento para esperar o resultado das investigações que estão em curso.

Além disso, o parlamentar ressaltou que é preciso conhecer os dois lados para não fazer juízo de valor. “É preciso acompanhar o caso. Mas é necessário tomar um certo cuidado para não criar certas expectativas em relação aos vereadores. Que poderes a gente tem senão o de requisitar documentos?”, diz.

Entretanto, na opinião de Roberval Sakai (PP) os vereadores não podem se calar. “O que me assusta é que esse assunto foi falado pelo vereador Amarildo. Na tribuna da Assembléia, o nobre deputado (Pedro Tobias) se diz inocente. Quando convidou seu assessor Reinaldo Rocha para integrar a equipe, ele era o superintendente da associação. O ex-vereador Parreira já apresentou algumas denúncias. Precisamos investigar isso. Acredito na idoneidade do deputado.”

Na mesma linha dos colegas de oposição, do G7, o tucano Marcelo Borges disse que a ação, neste caso, está aquém do que os parlamentares podem fazer. “Nós estamos acompanhando toda a situação. Mas é outra esfera. A fiscalização que temos que fazer é dos recursos públicos.” Gilberto dos Santos, o Giba (PSDB), foi mais enfático. “Não posso julgar as pessoas, mas quem faz farra com o dinheiro público merece cadeia. Se no passado algum vereador deixou passar em branco, hoje com esta Câmara será diferente.”

Fernando Mantovani, também da bancada tucana, voltou a comparar os escândalos na associação a um câncer que está em fase de metástase (terminal). “Acharam que fui duro naquela ocasião. Não fui. Agora com essas denúncias deve-se começar o tratamento. Preocupa-me como está a moral de todos os colaboradores, que não têm nada a ver com esse câncer. Conclamamos todos a ajudar. Quero fazer parte dessa força-tarefa”, diz.

Conseqüências

Anteontem, o relato do descaso da AHB em relação aos pacientes e funcionários do Hospital de Base (HB) provocou uma tentativa de reunião de forças para garantir a prestação de serviços na unidade e colaborar com o interventor da entidade, Fábio Tadeu Teixeira. A preocupação com o futuro da associação também mobilizou leitores do JC que, durante todo o último domingo, manifestaram apreensão em relação à crise instalada na instituição. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) informou que se reunirá com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti (PR), para discutir a contribuição que o município pode dar nesse processo.

“É lamentável o episódio com o HB. Concordo com o vereador Segalla que é hora de esperarmos. Não vamos falar em corrupção, mas o hospital tem uma dívida. Nós vamos assumir isso?”, questionou Moisés Rossi (PPS). O petista Roque Ferreira diz que os parlamentares não podem se prender aos fatos policiais. “Temos que fazer o debate do modelo de gestão.”

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