Política

Pedro Tobias quer extinção da AHB

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) avalia que a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - entidade que administra a Maternidade Santa Isabel e o Hospital de Base – já cumpriu seu papel e deveria deixar de existir. Para ele, a associação não possui mais condições de ser mantida. “A melhor forma deveria ser o Estado assumir ou uma organização social. Acabou a associação. Esse é meu palpite de cidadão”, destaca.

A AHB administra as unidades de saúde desde 1977 - até o ano passado também gerenciava o Hospital Manoel de Abreu, que passou a ser administrado pelo Hospital Estadual. A instituição sofreu grande abalo no final de outubro passado, quando a Operação Odontoma, deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual, prendeu seis pessoas da diretoria da entidade, investigadas por irregularidades na associação.

A operação, iniciada no dia 29 de outubro, tem como objetivo investigar irregularidades envolvendo a destinação de R$ 16 milhões obtidos em empréstimo junto à Caixa Econômica Federal (CEF), origem de honorários pagos aos cirurgiões dentistas da equipe de bucomaxilo, aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos e a compra e utilização de materiais cirúrgicos na AHB.

O deputado Pedro Tobias lembra que em dezembro do ano passado, quando começaram a aparecer os primeiros sinais de irregularidades, o governo do Estado foi alertado e iniciou uma movimentação para recuperar a entidade. “Foi aí que veio o gestor (Fábio Tadeu Teixeira) para reformar o estatuto da associação. Depois dessa reestruturação, não iria sobrar quase nada de AHB”, destaca. Teixeira chegou na AHB em junho deste ano.

Depois de todas as possíveis irregularidades trazidas à tona, como o supersalário do dentista Marcelo Saab, filho do presidente da AHB, Joseph Saab e a discutida utilização de R$ 4 milhões do empréstimo de R$ 16 milhões para pagamento de dívida em nome do presidente, além de irregularidades na cobrança de próteses, Tobias destaca que não há mais condições da AHB continuar administrando as unidades de saúde.

“A associação, ao meu ver, acabou. Nestes anos, fez o papel dela. Mas é melhor o Estado assumir, ou uma OSS. Na situação atual, a AHB não tem mais condições de seguir”, diz. Mas Tobias lembra que ainda hoje o Hospital de Base é responsável por todos os atendimentos de urgência e emergência de Bauru e região. Também destaca que a Maternidade Santa Isabel é a única a realizar partos pelo Sistema Único de Saúde. “Não se pode desmerecer essa história. Na associação tem bastante gente trabalhadora”, enfatiza.

“Vamos conservar a instituição. O hospital e a maternidade que continuam atendendo a população. Após a investigação da Polícia Federal, Ministério Público e condenação pela Justiça, quem roubou tem que ser punido exemplarmente. E o dinheiro, devolvido”, ressalta.

Dissolução

José Carlos Carneiro de Oliveira, promotor das fundações do Ministério Público e autor de ação civil pública que pediu afastamento da então diretoria da AHB e a nomeação de Fábio Tadeu Teixeira como interventor, informou ao Jornal da Cidade na semana passada, que os subsídios reunidos durante a investigação eram suficientes para que ele ingressasse com ação civil pública pedindo para extingüir a associação.

Mas, ele informou que tomou a decisão de buscar a regularização da entidade por entender que essa medida poderia trazer prejuízos aos pacientes usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), funcionários da AHB e fornecedores que vendem produtos para a associação.

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