A cidade de Bauru e nove Estados do País ficaram às escuras desde as 22h10 de ontem. O blecaute também parou algumas operadoras de celulares, porque sem energia elétrica o sistema deixou os telefones mudos. O gerente regional da CPFL de Bauru, Luiz Antonio Campos, disse no final da noite que esse tipo de apagão é raro de acontecer, mas a pane no sistema elétrico não foi provocada na região de Bauru. Das 22h10 até o fechamento desta edição, às 2h30 desta madrugada, a cidade ficou no escuro.
Em 1999, o maior blecaute que atingiu 13 milhões de pessoas foi atribuído a um suposto raio que teria atingido Bauru, mas depois de sete anos o instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desmentiu que a cidade foi atingida pela descarga atmosférica (leia texto ao lado).
O Ministério de Minas e Energia demorou ontem à noite para admitir, mas foi um problema em um dos dois sistemas de transmissão da estatal Furnas que trazem a energia da hidrelétrica binacional de Itaipu ao Brasil que provocou o desligamento automático das turbinas da usina, o que resultou no apagão que atingiu os Estados da Região Centro-Sul do País.
A assessoria de imprensa do Operador Nacional do Sistema (ONS) informou que caíram 17 mil megawatts, o equivalente à carga consumida pelo Estado de São Paulo.
“Quando as linhas de transmissão são desligadas, a usina tem um mecanismo automático que desliga as turbinas para problemas nos equipamentos”, disse o assessor da diretoria-geral do Paraguai em Itaipu, Hector Richer Bécker.
Escuridão
Os semáforos em Bauru ficaram sem funcionar e os seis hospitais tiveram que acionar os geradores para manter o fornecimento de energia nos setores de emergência.
Várias pessoas que moram em edifício com porteiro eletrônico tiveram que ficar na rua e aguardar a volta do fornecimento de energia para entrar nos apartamentos na madrugada de hoje.
O blecaute paralisou os telefones de emergência da Polícia Militar, Bombeiros e Sistemas de Emergência.
O prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), disse na madrugada de hoje que ficou apreensivo com o apagão. Ele ligou para a Defesa Civil e o comando da Polícia Militar para iniciar uma operação de prontidão.
Devido ao desligamento dos semáforos, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) chamou urgentemente em suas casas os nove funcionários do Grupo de Orientação ao Trânsito (GOT) para sinalizar e orientar o tráfego nas principais avenidas de movimento.
Também foi necessário a prefeitura fornecer óleo diesel para abastecer o gerador da bomba de combustível do Batalhão da Polícia Militar.
Agostinho circulou por vários pontos da cidade e foi informado de ocorrências na praça Rui Barbosa e avenida Marcos de Paula Rafael, no Mary Dota. Os Bombeiros também atenderam casos de pessoas presas em elevadores.