A poucos dias das eleições internas do Partido dos Trabalhadores (PT) para renovação da direção nos níveis nacional, estadual e municipal, os candidatos à presidência da legenda em Bauru intensificam a campanha na tentativa de conquistar os 980 filiados aptos a votação no município. A eleição, que ocorre a cada três anos, será realizada no dia 22 de novembro, em primeiro turno, e 6 de dezembro, em segundo turno. O PT é o único partido do Brasil que renova suas direções por meio do voto.
Alexssandro Bussola é o candidato pela situação ligado à vice-prefeita Estela Almagro e ao secretário municipal de Esportes (Semel), José Carlos Batata; Jorge Moura e Thiago Moratelli são os concorrentes de oposição à atual presidência e ligados ao ex-secretário das Administrações Regionais (Sear) e presidente do Sindicato da Construção Civil, Cláudio Gomes, e ao vereador Roque Ferreira, respectivamente. As chapas inscritas são “Construindo um Novo Brasil - Articulação Bauru”, de Bussola; “Esquerda Socialista”, de Moura e “Virar à esquerda! Reatar com o socialismo!”, de Moratelli.
A principal arma dos petistas nessa reta final da campanha é o corpo a corpo. Eles dividem a agenda entre visitas e debates com os militantes sobre o posicionamento político de cada um, principalmente em relação à participação do partido no governo de Rodrigo Agostinho (PMDB). As alas de oposição propõe, inclusive, uma mudança de postura em relação à administração municipal.
Aos 34 anos, o analista de sistema e assessor parlamentar Alexssandro Bussola tenta sua reeleição. Atual presidente do partido em Bauru, o candidato ligado à ala Articulação busca o fortalecimento da legenda no município. “O PT mostrou nesses últimos anos que está no caminho certo. Saiu vitorioso das eleições e hoje temos a vice-prefeita Estela Almagro. Além disso, conseguimos aumentar o número de vereadores na Câmara e de filiados. Queremos dar continuidade ao que o governo Lula vem fazendo por todo o Brasil”, afirma.
Bussola conta com apoio de grupos como Núcleo Participação e Luta e de membros da Central Única de Trabalhadores (CUT). “Fazemos visitas aos filiados e toda noite temos reunião com os grupos. Até pela minha militância junto aos núcleos de base, queremos fortalecê-los por meio de debates com as pessoas que sempre construíram o PT na cidade.”
Com a bandeira de resgate dos princípios que regeram a fundação do partido, a ala Esquerda Socialista disputa o pleito com o bacharel em direito, Jorge Moura, 29 anos. “O PT em Bauru se ‘institucionalizou’. Cada vez mais o partido assume um papel secundário no governo municipal, interferindo politicamente muito pouco na gestão do Rodrigo, não cumprindo o papel que deveria, que é ser um dos entes articuladores políticos do governo, e ajudar a mostrar o que nós realmente pensamos enquanto administração. Infelizmente o PT não consegue assumir esse papel”, diz.
Para Moura, o comando da legenda na esfera municipal precisa sair das mãos de uma minoria. “Hoje, o PT continua sendo um partido de duas ou três pessoas que acham que respondem por todo o partido, acabam se entendendo como proprietários do partido, que não é o caso. A gente vai para essa eleição tentando desconstituir essa maioria. Queremos mudar isso para que o partido possa representar aquilo que foi criado, que é a classe trabalhadora, estabelecendo também um calendário de atuação junto aos movimentos sociais. Pretendemos reafirmar seu caráter socialista.”
Já o professor de história Thiago Moratelli, 28 anos, encabeça o chapa composta por militantes da ala Esquerda Marxista, que tem como integrante o vereador e membro do Sindicato dos Ferroviários Roque Ferreira. “A gente defende que o PT retome os princípios fundamentais do partido e que rompa com essa política de coalizão, que é feita pela atual direção do partido nacional, mas que tem repercussão no município”, afirma.
De acordo com Moratelli, o partido deveria romper com o governo de Agostinho. “Não é nada pessoal, é uma questão política. O governo é incapaz de conciliar os interesses dos trabalhadores de Bauru com os interesses dos empresários da cidade. A gente entende que o PT não deveria participar do governo. Ao contrário, o PT deveria se fortalecer em Bauru.”