O medalhista olímpico Claudinei Quirino da Silva terá hoje um encontro emocionante com seu passado. Ele retorna após mais de 20 anos a Pirajuí, cidade em que viveu dos 2 a 15 anos e saiu para se tornar uma estrela do atletismo nacional. Claudinei é medalha de prata nas Olimpíadas de Sidney, no revezamento 4x 100m.
Ele completará 39 anos na próxima quinta-feira (dia 19) e, há muito tempo, adia o convite para visitar Pirajuí. Após a morte de sua mãe em Lençóis Paulista, Claudinei, com apenas 2 anos de idade, e um irmão mais velho vieram para a Casa do Garoto de Pirajuí. Adolescente, retornou a Lençóis Paulista, onde trabalhou de balconista na lanchonete de um posto de gasolina. No emprego conheceu Tião, frentista que fazia atletismo e o iniciou na modalidade.
Ontem, ele preparava o carro para a viagem e as recordações voltaram. “Pra mim não está sendo nada bom voltar porque prometi que nunca mais voltaria. Tem coisa que não quero nem lembrar. Já marquei de ir várias vezes e estou de malas prontas e só estou mexendo no freio do meu carro para ir. Já estou há dois dias sem dormir”, ressalta. Ele comenta que muitas pessoas dizem que ele é uma lenda viva de Pirajuí porque nunca foi visto no município. “Estou bem inseguro e não sei o que vai acontecer”, acrescenta.
Entre os reencontros, Claudinei deverá rever o padre Godofredo, responsável pela Casa do Garoto na época em que o ex-atleta viveu em Pirajuí. Claudinei fala com muito carinho do padre Godofredo, personagem de suas palestras e figura especial em sua vida. “Foi uma das pessoas que me deram oportunidade e me direcionaram no caminho do bem. Só tenho a agradecer. Mas nem sei o que fazer. Me dá vontade de chorar”, se emociona. Atualmente, padre Godofredo é pároco na Paróquia Nossa Senhora de Aparecida em Bauru. Ao JC, o padre comentou, ontem, que organizava a agenda para estar presente na recepção a Claudinei.
Claudinei planejava chegar ontem na companhia da esposa e filha. O prefeito de Pirajuí, Jardel de Araújo (DEM), preparou uma recepção ao atleta que visitará escolas da cidade. Em especial a EE Olavo Bilac, onde Claudinei estudou. Provavelmente, Claudinei fique até amanhã em Pirajuí.
Claudinei vive um momento especial. Em Pirajuí será uma das últimas vezes que aparecerá com a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000, no revezamento 4x100m na equipe formada por Vicente Lenilson, Edson Luciano Ribeiro e André Domingos – Cláudio Roberto Souza correu a semifinal. Os norte-americanos venceram a prova mas foram desclassificados por doping. O Comitê Internacional irá efetuar a troca e os brasileiros ficarão com o ouro.
Ele trabalha na formação de atletas no Centro de Excelência em Atletismo, em Presidente Prudente, um projeto do governo do Estado de São Paulo. Com outros grandes nomes do atletismo brasileiro, Claudinei atua no Programa Heróis Olímpicos da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) mantido pelo governo federal.
Além da prata que virou ouro nas Olimpíadas de Sydney, Claudinei teve uma carreira vitoriosa no atletismo. Sua melhor performance foi em 1999, quando ganhou prata nos 200 metros no Mundial de Sevilha, Espanha, ficando atrás do norte-americano Maurice Greene. Dois meses depois, superou Greene no IAAF Grand Prix Final, em Munique, Alemanha, nos 200m com o tempo de 19.89, recorde sul-americano ainda em vigor. Melhorou em 7 centésimos a marca que há uma década era de Robson Caetano.
Na mesma temporada, Claudinei foi o destaque da Seleção Brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, com ouro nos 200m e no 4x100m, prata no 4x400m e bronze nos 100m. Claudinei se despediu das pistas em 2005 no Troféu Brasil, em São Paulo, vencendo uma de suas provas favoritas, o 4x100m, como o segundo homem do quarteto de Botucatu. Terminou a carreira como campeão brasileiro.