Política

Disputa pela OAB mobiliza 186 mil

Por Fábio Zambeli | Da APJ, especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

A corrida pela presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo e das 223 subseções do Estado levará às urnas um contingente de 186 mil eleitores na próxima terça-feira. Somente no interior estão aptos a votar 99.695 advogados.

Quatro chapas disputam o comando da mais poderosa seccional da entidade. Entre os principais eixos da campanha estão a valorização da carreira, a defesa das prerrogativas do profissional do direito, a redução das anuidades e os conceitos que regem o exame da Ordem.

O atual presidente, Luiz Flávio Borges D’Urso, concorre ao terceiro mandato consecutivo e virou alvo dos ataques dos três opositores – que defendem a alternância no controle da instituição.

“Sou contra a perpetuação do cargo, seja na OAB ou em qualquer outra disputa eleitoral. Considero o terceiro mandato um retrocesso democrático inaceitável para a classe”, sustenta Rui Celso Reali Fragoso, que comanda a Chapa ‘Em Defesa da Advocacia’ e tenta o cargo pela segunda vez.

Para D’Urso, que diz ter promovido um ‘choque de gestão’ na entidade nos seis anos de mandato, fala que sua candidatura é reflexo da mobilização da categoria. “Não era meu projeto pessoal. Eu mirava o Conselho Federal, mas houve uma mobilização dos 208 presidentes do total de 223 que temos, que me entregarem um documento, um manifesto, pedindo que eu continuasse à frente”, afirma o presidente.

Líder da Chapa ‘OAB para Todos’, Hermes Barbosa compara a trajetória de D’Urso à do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

“Essa tentativa do atual presidente, de disputar um terceiro mandato, nos faz lembrar os piores momentos de Hugo Chávez, que quer se perpetuar no poder”, afirma Barbosa, que dirige a Fadesp (Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo).

Outro tema que suscita caloroso debate na corrida pela presidência da seccional paulista da Ordem é o exame que regula o ingresso dos bacharéis no mercado de trabalho.

Leandro Donizete Pinto, 33 anos, que encabeça a Chapa ‘Renovação da OAB’, considera ser necessária uma ampla revisão da prova, que eliminou este ano 88% dos candidatos ainda na sua primeira fase no Estado.

“O exame é necessário, mas como tudo na OAB deve ser revisto, acredito que existem erros operacionais e estruturais no exame. Já nomeamos uma equipe para redesenhar e propor uma completa reorganização no que tange ao exame”, diz o mais jovem postulante ao cargo.

Os quatro candidatos à presidência revelaram com exclusividade à Associação Paulista de Jornais os principais pontos de suas plataformas.

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