Eduardo Gebara herdou o dom para o comércio de tecidos do pai. A paixão pela profissão é tanta que ele não abre mão de passear todos os sábados pela Batista de Carvalho, lugar onde nasceu, cresceu, teve uma infância feliz e trabalhou com a família até transferir sua loja para a rua Antônio Alves onde ela foi batizada com o nome de Gebara Tecidos Finos.
Com o lema qualidade e honestidade acima de tudo, aos 63 anos, “seo” Eduardo diz estar realizado profissionalmente e até aconselha aos mais novos: “Trabalhando honestamente, a pessoa vence. Para crescer e se projetar nos negócios é preciso transmitir confiabilidade”. Assim, ele se tornou ícone do comércio de tecidos na cidade e região.
Se o comércio é uma paixão, viagens são outra. Ainda mais acompanhado de sua esposa, mulher pela qual tem profunda admiração e carinho. A amizade dos amigos também completa a vida e as realizações desse bauruense que diz não abrir mão de uma boa conversa e companhias agradáveis.
Trabalho, infância, família, amigos e viagens são os temas da entrevista que Eduardo Gebara concedeu ao Jornal da Cidade. Confira os principais trechos.
Jornal da Cidade - O senhor nasceu e cresceu em Bauru?
Eduardo Gebara - Sim. Fui criado no Centro da cidade, mais precisamente na rua Batista de Carvalho esquina com a Virgílio Malta. Foi lá que vivi toda a minha infância e fiz grandes amizades. Digo que fui um menino médio, nem muito arteiro, nem muito quieto. Eu e minhas duas irmãs fomos criados na mesma casa que outra família. Meu pai e meu tio se casaram com duas irmãs e moramos todos juntos durante muitos anos. Meu tio teve quatro filhos, então éramos sete crianças na casa.
JC - Imagino que era uma alegria imensa...
Eduardo - Nossa, era mesmo. Fazíamos a maior festa todos os dias e brigávamos muito, também. Tive uma infância feliz!
JC - Como foi a criação que seus pais lhe deram?
Eduardo - Meus pais não eram muito severos. Mas bastava apenas um olhar para que entendêssemos tudo. Meu pai dizia: “Filho”... E eu já sabia o que ele queria dizer. Não era como hoje onde os filhos não obedecem. Antigamente a criação era mais severa sim, mas os filhos obedeciam os pais e não precisavam apanhar, as palavras bastavam.
JC - Por que o senhor não teve filhos?
Eduardo - Por opção.
JC - O senhor agradece seus pais por sua formação?
Eduardo - Com certeza. Tive formação e criação muito boas. Fiz faculdade de Direito porque meus pais fizeram questão que fizesse uma faculdade. Como eu sempre gostei de direito e tenho muitos amigos promotores e juizes, optei por esse curso. Porém, meu coração é apaixonado pelo comércio (risos).
JC - Nunca exerceu a profissão?
Eduardo - Não. Optei pelo comércio, que sempre foi o negócio da família. Meu pai também era comerciante de tecidos e eu dei continuidade ao trabalho dele. Ele veio do Líbano e montou a Loja Síria na rua Batista em 1932 e conheceu minha mãe, uma brasileira também descendente de árabes. Antes de ter a loja, trabalhou como mascate. Veio com uma mão na frente e outra atrás, como se diz. Eu nasci praticamente embaixo de um balcão trabalhando com meu pai e estou até hoje nessa profissão. Vivo feliz, do jeito que sempre planejei.
JC - Como o senhor lida com os clientes?
Eduardo - Ah, eu me sinto muito bem quando estou com eles. Não consigo ficar só. Quero sempre gente perto de mim porque sou uma pessoa que gosta de convívio, de muita conversa e também encontro isso com meus clientes. Muitos deles se tornaram grandes amigos meus. Não é simplesmente um comércio onde a pessoa chega, compra um produto e nunca mais eu vejo. Não é assim, as pessoas sempre voltam e isso me deixa muito feliz. Acredito que o segredo está em vender qualidade. Gosto de dizer que, quem vende com qualidade, vende sempre. O cliente se torna meu amigo porque confia em mim.
JC - Daria um conselho para quem quer abrir um estabelecimento comercial?
Eduardo - Trabalhe honestamente. Trabalhando honestamente a pessoa vence. Para crescer e se projetar nos negócios é preciso transmitir confiabilidade e ser muito honesto. Assim, a pessoa vai embora, cresce muito.
JC - Qual é o diferencial da sua loja?
Eduardo - São tecidos especiais e de alta qualidade. Além disso, temos três estilistas profissionais que ficam à disposição dos clientes. Por exemplo, você está sem idéia, vai até lá e eles ficam desenhando até você dizer que é aquilo que quer. É fantástico o trabalho deles. A loja é diferenciada, tem jardim e produtos de qualidade, mas possuí preços para todos os bolsos.
JC - Como transferiu a loja para a Antônio Alves?
Eduardo - Depois que meu pai e meu tio faleceram eu sai do Centro da cidade e montei a loja na Antônio Alves com outro nome. Agora ela se chama Gebara Tecidos Finos. Acreditei que o acesso e o estacionamento seriam mais fáceis nesse novo endereço porque a Batista virou calçadão e as pessoas preferem parar seus carros perto da loja que precisa ir. Fiz as mudanças pensando na comodidade e no conforto dos meus clientes. Faz quinze anos que estou na Antônio Alves.
JC - Hoje, a Batista é uma atração da cidade...
Eduardo - Demais. Eu adoro aquele lugar. Para você ter idéia eu vou passear todos os sábados no calçadão para relembrar minha infância. Lá, está grande parte da minha vida e do meu mundo. O comércio mudou muito durante todos esses anos, mas eu vejo no comércio aquilo que eu gosto. Eu morava em cima da loja, era um bom lugar para se viver e hoje não é mais assim.
JC - O que mais o senhor costuma fazer para se divertir?
Eduardo - Gosto de ficar com meus amigos. Fazemos muitas coisas juntas, principalmente comer. Realizamos muitos jantares.
JC - O que a amizade é para o senhor?
Eduardo - Minha família e meus amigos são minhas grandes conquistas. Tenho um grupo de amigos, cerca de 20 pessoas, e nos reunimos toda semana. É o “clube do Bolinha”, mas às vezes as esposas também vão. Esses amigos são parte da minha família.
JC - O senhor disse que seu hobby é viajar?
Eduardo - É sim. Eu e minha esposa viajamos ao menos uma vez por mês. Conhecemos quase todo o Norte e Nordeste do país. Também viajo muito para São Paulo e Rio de Janeiro.
JC - Já viajou para o exterior?
Eduardo - Muito. Conheço os Estados Unidos da América, Paraguai, México e Argentina. Sempre freqüento a cidade de Buenos Aires. Para você ter idéia, para mim é como se fosse uma cidade brasileira. Muitas pessoas do comércio da cidade gritam: “Olá, brasileiro”, quando me vêem nas ruas. Nem sei quantas vezes já fui para lá. Faço questão de visitar o comércio das cidades que conheço porque eu me sinto em casa nesses ambientes. Na realidade, em minhas veias não corre sangue e sim tecido (risos).
JC - Já visitou o Líbano?
Eduardo - Ainda não. Mas faz parte dos meus planos. Viajar me encanta. Gosto de provar as comidas diferentes, ver teatro, shows e todos os pontos turísticos do maior número possível de lugares.
JC - O senhor deve ter muitas histórias interessantes sobre essas viagens?
Eduardo - Tenho muitas. Olha, tem uma coisa que sempre me faz rir: nós sempre encontramos bauruenses nas viagens, seja onde for. É impressionante. Em Buenos Aires, por exemplo, eu já encontrei a mesma pessoa por duas vezes e em épocas diferentes. Quando fui para Nova Iorque eu fiquei impressionado com o metrô. É igualzinho ao que vemos em filmes. São pichados e turmas entram fazendo shows de danças de ruas. Eles se penduram nas alças, fazem as performances e depois passam um chapéu pedindo dinheiro. Confesso que fiquei assustado e até com medo a primeira vez que vi aquela demonstração. Fiquei emocionado quando estive na Quinta Avenida, também em Nova Iorque. Pensei: estou na avenida mais famosa e visitada do mundo. É muito linda.
JC - Qual é seu grande sonho?
Eduardo - Já realizei meus sonhos porque tenho minha esposa maravilhosa e a companhia de grandes amigos. Agora, um sonho mesmo é parar de trabalhar e ficar viajando pelo mundo. Mas não troco o Brasil por nada.
JC - Como o senhor conheceu sua esposa?
Eduardo - Eu era um solteirão de 38 anos e fiquei na paquera até que nos casamos. Vivemos muito felizes e namoramos muito. Ela é incrível.
JC - O que o senhor faz para cuidar da saúde?
Eduardo - Faço caminhadas e sempre penso positivo. Nada de pessimismo, nunca.
JC - O senhor já passou por dificuldades?
Eduardo - Já, como todo mundo. Quando meu pai faleceu e saí da Batista de Carvalho, fiquei muito triste, olhei para cima e disse que não podia parar. Fiquei pensando e pensando sobre o que iria fazer da minha vida quando algo me iluminou e encontrei a casa onde montei minha loja. Comecei devagar e hoje estou muito satisfeito com ela. Graças a Deus.
JC - Quem é Deus para o senhor?
Eduardo - Acredito que Deus é maior que tudo o que existe.
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Perfil
• Nome: Eduardo Gebara
• Idade: 63 anos
• Local de Nascimento: Bauru
• Signo: Libra
• Esposa: Maria Vanilde
• Hobby: Viajar
• Livro de cabeceira: Obras de Kalil Gibran Kalil
• Filme preferido: Filmes policiais
• Estilo musical predileto: Jazz
• Time: Corinthians
• Para quem dá nota 10: Para minha família e amigos
• Para quem dá nota 0: Ninguém merece nota zero
• E-mail: gebaratecidos@hotmail.com