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Lula e Cristina Kirchner tentarão reduzir tensão


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Buenos Aires - “Esse tango se baila a dois” é a expressão usada na Argentina para situações em que os parceiros não querem se deixar. É também o resumo do desfecho que o lado argentino espera para a reunião dos presidentes Lula e Cristina Kirchner, que ocorre na quarta-feira, em Brasília, cercada por elevada tensão na relação comercial entre os dois países.

“Não é a primeira vez que acontece (a tensão bilateral) e certamente não será a última. Tivemos muitas situações parecidas no passado. Sempre que as autoridades máximas dos dois países se reuniram, encontraram soluções mais ou menos satisfatórias para ambas as partes”, afirma Juan Cantarella, gerente-geral da Associação de Fábricas Argentinas de Componentes, que representa o setor de autopeças.

O problema é que, desta vez, a solução “mais ou menos satisfatória” parece distante. “Houve mudança de atitude da administração Lula, que sempre foi muito complacente (com a Argentina). Acho que acabou a paciência do governo brasileiro”, diz o consultor Dante Sica, ex-secretário de Indústria e Comércio da Argentina.

Na opinião de Sica, “a gota d’água foi a falta de previsibilidade, ocasionada pelo tempo que a Argentina demora para liberar as licenças não automáticas de importação” exigidas, desde outubro de 2008, para produtos que conformam 14% das exportações brasileiras ao país vizinho.

Segundo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), a liberação das licenças deve ocorrer num prazo máximo de 60 dias.

A Argentina leva, em média, 150 dias para autorizar a entrada de produtos brasileiros. Há demoras de até 300 dias na autorização de pedidos.

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