Internacional

Economia dá tom a Obama na China


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Pequim - O presidente americano, Barack Obama, inicia sua primeira visita oficial à China, na “relação bilateral mais importante do século 21”, segundo definição dele próprio. Obama chegou ontem a Cingapura para assistir à cúpula do Apec (Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), na segunda etapa de sua viagem pela Ásia, que também o levará à China.

Obama fica na China até quarta-feira, começando por Xangai e chegando na segunda em Pequim. Ele deve pressionar os anfitriões a revalorizar a moeda chinesa diante de aumento de críticas nos EUA à entrada de produtos baratos chineses. A relação entre o subvalorizado yuan e o dólar é de 6,8 para 1.

Mais pressões pela contenção do programa nuclear da Coréia do Norte, protegida da China, e mudança climática também estão na pauta, mas o equilíbrio econômico é a principal prioridade.

Em setembro, Obama aprovou alíquota extra de 35% para a entrada de pneus chineses nos EUA. O empresariado pede maiores tarifas contra 420 produtos chineses. Apesar da recente desvalorização do dólar, o yuan continua com o mesmo valor desde julho de 2008.

A China será, em 2010, a segunda economia do mundo, e a relação entre as duas potências é cada vez mais complementar.

O gigante asiático detém US$ 1,4 trilhão (ou todo o PIB do Brasil) em dólares e títulos do Tesouro americano - na prática, financia o deficit dos Estados Unidos.

Os EUA compram, anualmente, mais de US$ 330 bilhões da China, uma vez e meia todas as exportações brasileiras, ficando com 20% das exportações de Pequim (que compra US$ 69,7 bilhões dos EUA).

Com o novo peso político e econômico chinês, os EUA não têm como impor suas vontades e a pressão precisa ser muito sutil, como aprendeu o secretário do Tesouro, Timothy Geithner. Em 22 de janeiro, ele escreveu ao Senado dos EUA que “Obama, apoiado por um diverso grupo de economistas, crê que a China manipula sua moeda”.

“Países como a China não podem continuar a ter passe livre para sabotar princípios do livre comércio”, escreveu. A China demonstrou irritação e, dias depois, ele se retratou.

Em março, em outra demonstração do novo poder da China, o primeiro-ministro Wen Jiabao disse que esperava que os EUA “honrassem seus compromissos e protegessem a poupança dos chineses”.

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‘Próximos e abraçados’

Pequim - Vários economistas creem que o yuan continuará artificialmente colado ao dólar e que não haverá apreciação, apesar das pressões de americanos, europeus e japoneses. Entre 2005 e 2008, o yuan foi apreciado em 20%, mas está fixo desde que o setor exportador chinês começou a sofrer com a queda na demanda global.

“A liderança chinesa sabe que Obama, como democrata, terá de satisfazer as pressões dos sindicatos. Mas sabemos que a política protecionista prejudica as empresas dos EUA que fabricam na China’’, diz o cientista político Li Qingsi, vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade do Povo, em Pequim.

“A China e os EUA são como dois monstros gigantes, que precisam estar próximos e abraçados um ao outro. Separados, eles vão se machucar imediatamente. A China quer ser boa com os EUA, vamos ver se os americanos retribuirão a bondade’’, avalia Li.

Taiwan, a corrida armamentista chinesa e a situação dos direitos humanos no país perderam espaço na agenda dos EUA.

Ao visitar Pequim em março, a secretária de Estado, Hillary Clinton, insinuou que era contraproducente criticar a China quanto aos direitos humanos -e Obama, diferentemente de seus antecessores, não recebeu o dalai-lama na Casa Branca.

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