Internacional

Zelaya afirma já não aceitar acordo para volta à Presidência de Honduras


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Tegucigalpa - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, anunciou ontem que, diante da proximidade das eleições para escolher o seu sucessor e da demora do Congresso para se pronunciar sobre sua restituição, já não aceita nenhum acordo para retornar à Presidência e “encobrir o golpe de Estado’’ que o depôs em 28 de junho.

Em uma carta endereçada ao presidente dos EUA, Barack Obama, e lida em voz alta pelo próprio Zelaya na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado desde 21 de setembro, o presidente deposto lamenta a mudança de posição dos EUA, que saíram de um apoio incondicional à volta de Zelaya a uma sinalização cada vez mais forte de que reconhecerão o resultado das eleições do próximo dia 29 independentemente da restituição.

“Como presidente constitucional de Honduras (...), me vejo na obrigação de informar que sob essas condições não podemos respaldá-las [as eleições] legalmente em nome de milhares de hondurenhos e de centenas de candidatos que sentem que se trata de uma competição desigual na qual não se dão as condições de participação em liberdade’’, disse Zelaya na carta a Obama.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi informado de antemão pelo hondurenho Manuel Zelaya de que ele não mais aceitaria o acordo fechado com o governo golpista para voltar ao cargo.

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse desconhecer detalhes sobre o documento.

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Acordo fracassado

Tegucigalpa - Sob mediação dos EUA, Manuel Zelaya e o presidente interino Roberto Micheletti assinaram no último dia 31 um acordo para pôr fim à crise no país, cujos pontos principais eram que o Congresso votasse para decidir sobre o retorno de Zelaya ao cargo; a formação de um governo de unidade e de reconciliação nacional e o reconhecimento por ambas as partes do resultado da eleição do dia 29.

Após Micheletti tentar estabelecer o governo de unidade antes de o Congresso se pronunciar sobre o retorno de Zelaya, o presidente deposto disse considerar o acordo rompido.

Os EUA tentaram promover a retomada do diálogo inclusive com o envio de um diplomata a Tegucigalpa, mas diferentes funcionários do país, inclusive o embaixador na OEA (Organização dos Estados Americanos), já defenderam o reconhecimento do resultado das eleições como solução para a crise.

Na carta para Obama, Zelaya diz que “realizar eleições nas quais o presidente eleito pelo povo de Honduras está prisioneiro, rodeado por militares na sede diplomática do Brasil, e um presidente “de facto’, que impuseram os militares, (está) rodeado pelos poderosos no palácio de governo será uma vergonha histórica para Honduras e uma infâmia para os povos democráticos da América”.

Zelaya acusa os EUA de “alterarem sua posição no caso de Honduras e favorecerem a intervenção abusiva das castas militares na vida cívica de nosso Estado” e pede uma pronta resposta de Barack Obama.

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