Moldes vazados (perfurados) em que desenhos são transportados para as paredes compõem a técnica que está sendo multiplicada durante a realização da oficina de aplicação de stencil, ministrada desde ontem, no casarão da rua Antonio Alves, esquina com rua Ezequiel Ramos. Promovida pela Secretaria Municipal de Cultura e apoio de parceiros, a oficina integra a I Semana de Artes Visuais, que também desenvolve no local palestras até a próxima sexta-feira, com participação de especialistas renomados na área de restauração. A oficina é ministrada pela agente cultural Elizete Maria Barro e arte educador Paulo Barreto.
A pintura com utilização de stencil está sendo evidenciada no antigo casarão porque as paredes da “Casa”, como é conhecida no meio artístico, trazem consideráveis desenhos e pinturas da década de 40, de autoria dos irmãos João e Antonio Ponce Paz, que, na época, habitaram o imóvel. A oficina de aplicação de stencil tem cinco dias de duração. Ocorre pela manhã e reúne 15 pessoas, entre estudantes de artes, artistas e interessados.
De acordo com Lizete Barro, a técnica atualmente é muito usada para celebrar a religiosidade com pinturas de imagens e desenhos em capelas, e como decoração em prédios comerciais, residências e casas noturnas. A aplicação do stencil envolve moldes que podem ser confeccionados com a criatividade do interessado, em papel, papelão, metal e acetato. “O molde mais usado hoje é o acetato, conseguido com reciclagem de chapas de raio X”, conta Elizete Barro.
Também há alternativa dos moldes já prontos, encontrados em lojas especializadas, destaca a instrutora. “É um trabalho cuidadoso, que requer delicadeza, paciência e habilidade”, destaca. Para a técnica são empregados vários tipos de tintas, à base de água, com aplicação de pigmentos, acrílica e tintas a óleo. “Também existem tintas próprias, importadas”, completa. No trabalho, o stencil é fixado na parede com fita adesiva e é usada pouca tinta, para não deformar o desenho, ensina Barro.
O curso teve início com explanação do histórico artístico da “Casa”, que abriga diversos desenhos com moldes, provavelmente de papel, confeccionados pelos próprios autores. Também mostra vários desenhos pintados à mão. O casarão possui um atelier montado que ilustra parte da história dos artistas que pintaram as paredes do local.
O primeiro dia da oficina também teve noções básicas de restauro e, durante toda a Semana de Artes Visuais, haverá palestra com vários especialistas de renome. Hoje, a palestra aborda o tema Alquimia do Artista, sobre materiais usados para preparar as paredes e os suportes das pinturas, desde a era das cavernas até a descoberta e utilização de vernizes, além da adaptação desses materiais na nossa era.
Quem ministra a palestra, que também enfatiza a manutenção das obras e o papel do restaurador na conservação do acervo, é a artista plástica Ivelize de Agostini, especializada em artes e museologia pela Universidade de Florença, Itália. Amanhã, a palestra é sobre o Movimento Art Nouveau, com a professora doutora Paula da Cruz Landim.