Internacional

Clima: Estados Unidos e China recuam e afirmam querer metas


| Tempo de leitura: 3 min

Pequim - EUA e China, os dois maiores poluidores do planeta, anunciaram hoje em Pequim que aceitam estipular metas para emissão de gases causadores do efeito estufa.

O comunicado dos presidentes Barack Obama e Hu Jintao foi feito dois dias depois que as duas potências decidiram enterrar a cúpula do clima de Copenhague, marcada para dezembro, propondo que seu resultado seja só um acordo político, sem efeito legal.

Obama afirmou ontem que não quer só uma declaração de intenções em Copenhague. “Nossa intenção não é de um acordo parcial ou uma declaração politica, mas sim um acordo abrangente, que tenha efeitos imediatos”, disse Obama, em entrevista coletiva com Hu.

Não deu mais detalhes e perguntas não foram permitidas. No comunicado conjunto, os presidentes disseram que o acordo em Copenhague deve incluir metas para redução de emissão de gases-estufa para os países desenvolvidos e um plano de ação para reduzir as emissões de países em desenvolvimento. E que o diálogo entre os dois países inclui assistência financeira a países em desenvolvimento e a promoção de novas tecnologias, além de proteção a florestas tropicais.

Hu disse que China e EUA concordaram e expandir a cooperação em energia e mudança climática para “ajudar a produzir um resultado positivo na conferência de Copenhague”.

A China e os EUA respondem, juntos, por 40% das emissões de gás carbônico do globo. Sem compromissos ambiciosos de redução por parte de ambos, nenhum acordo terá efeito.

E os EUA não estão indo a lugar nenhum. Apesar de ter feito do clima uma prioridade de sua campanha, Obama depende, para agir, da aprovação da lei de mudanças climáticas pelo Senado, que só deve acontecer em 2010. Sem EUA, não há China.

Além disso, há outros obstáculos ao acordo, principalmente no tocante ao financiamento do combate à mudança climática nos países pobres. A própria anfitriã da cúpula do clima, a Dinamarca, sucumbiu. Seu premiê, Lars Rasmussen, propôs um acordo “politicamente vinculante”, que deixaria o pacto legal para 2010.

Hoje, no final de uma reunião de ministros de 44 países em Copenhague, que incluiu o Brasil, a ministra do Clima da Dinamarca, Connie Hedegaard, fez as vezes de otimista. “Houve um mal-entendido por alguns de que estivéssemos querendo um acordo parcial.”

____________________

6ºC mais quente

Pequim - Novos dados sobre as emissões mundiais de CO2 (dióxido de carbono, principal gás causador do efeito estufa) indicam que o planeta está a caminho de esquentar 6ºC neste século, se não houver um esforço concentrado para diminuir a queima de combustíveis fósseis.

“Existe um abismo claro entre o caminho que estamos seguindo e o que é necessário para limitar o aquecimento global a 2ºC ( nível considerado relativamente seguro por especialistas)”, diz Corinne Le Quéré, pesquisadora da Universidade de East Anglia (Reino Unido).

Na atual década, a principal responsável por puxar para cima as emissões é a China, com seu crescimento industrial alimentado pelo carvão mineral.

No entanto, os EUA ainda respondem pelas maiores emissões per capita: 18 toneladas, contra 5,2 toneladas dos chineses (a média mundial é de 4,8 toneladas). Desde 1982, a humanidade produziu 715,3 trilhões de toneladas de gás carbônico, quantidade que equivale ao total de dióxido de carbono emitido por todas as civilizações que existiram no mundo antes disso.

Comentários

Comentários