Bairros

No calor, proteja sua casa dos insetos

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

O aumento da temperatura e da umidade do ar na primavera e no verão proporciona aos insetos as condições ideais para sua reprodução. Considerados pragas urbanas, baratas, aranhas, mosquitos e diversos outros animais aumentam de número e começam a incomodar a população. Segundo especialistas, essa é a hora de intensificar as medidas preventivas para que esses bichos não entrem nas residências.

Fátima do Rosário Naschenveng Knoll, professora do departamento de ciências biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que o calor é um sinal de que as condições de reprodução dos insetos está mais propícia. “Ao longo da evolução, os animais adaptaram seu ciclo de vida de acordo com as condições ambientais. Embora o calor seja o que mais chame a nossa atenção, não é só ele. A duração do dia fica maior, há mais mudança de temperatura e aumento da pluviosidade. Esses são fatores que desencadeiam o comportamento reprodutivo dos insetos”, diz.

Trata-se de um processo natural, inerente ao ciclo de vida desses animais. Portanto, segundo Knoll, o ideal é intensificar as medidas de higiene nas residências. “Uma coisa importante é a população entender que esses processos são naturais. Não tem como a gente impedi-los porque fazem partem da natureza, da biologia e da ecologia. O que as pessoas têm que fazer é intensificar os cuidados”, afirma Knoll.

A professora Márcia Marlene Martins tem pavor de baratas e, por isso, sabe bem os procedimentos ideais para prevenir a entrada de insetos em sua residência. Ela mora no primeiro andar de um prédio e já perdeu a conta de tudo o que fez para espantar os “bichos”.

Márcia contrata o serviço de dedetização do apartamento uma vez por ano, mantém lixos fechados, limpa constantemente a residência, não deixa acumular papéis, coloca armadilhas de barata nos armários, instala tela nas janelas e tampa os ralos. “Eu ponho peso ainda em cima do ralo. Acho que a barata tem uma força descomunal de halterofilista e vai conseguir sair de lá. Minha imaginação é a coisa mais temerosa”, brinca.

A professora confere também a validade da dedetização do prédio e aciona o síndico assim que percebe que o prazo está acabando. Ela diz que seu pavor é tanto que já chegou até a arrancar páginas do livro escolar dos filhos. “Os meus filhos têm livro com um capítulo falando sobre insetos com fotografia de barata. Os que ficaram aqui em casa eu cortei as folhas e joguei fora. Cortei com estilete para não ver mais. Os outros exemplares deixei na escola mesmo. Fico horrorizada, desesperada só de ver a foto da barata”, revela.

Embora Márcia pareça exagerada, algumas medidas adotadas por ela realmente colaboram para manter os insetos longe de casa. “Além da dedetização dos lares, as pessoas devem manter ralos fechados e não deixar migalhas de alimento porque isso atrai os animais. Para as baratas e formigas, qualquer micropedaço de alimento, que a gente às vezes nem vê, é uma quantidade que vale a pena coletar”, aconselha Knoll.

A professora lembra ainda que em relação aos mosquitos, o ideal é não manter água parada, pois este é o ambiente ideal para que suas larvas se desenvolvam. “As pessoas também devem lembrar de limpar as calhas de suas casas. Calhas entupidas colaboram para o armazenamento de água e proliferação de mosquitos e pernilongos”, afirma.

O diretor da Vigilância Sanitária de Bauru, Flávio Tadeu Salvador, explica que as baratas e os mosquitos são animais que convivem com o homem e seu aparecimento nas casas é algo normal. No entanto, uma atenção maior é necessária quando há um descontrole populacional desses insetos em alguma região da cidade.

“Barata tem em toda cidade, são chamados animais sinantrópicos, que coabitam com o homem em área urbana. Quando existe um descontrole da população do animal na rede de esgoto pluvial ou normal, é necessária uma intervenção feita pela Secretaria de Obras com a aplicação de inseticidas”, orienta.

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