Economia & Negócios

Exportações caem, mas saldo comercial é positivo em Bauru

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Mesmo com a queda nas exportações provocada pelos efeitos da crise econômica mundial, a Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru, que abrange 18 municípios, registrou superávit na balança comercial nos nove primeiros meses de 2009. Mais do que isso, em comparação ao mesmo período do ano passado, a diferença entre o volume de exportações e importações teve aumento neste ano: de US$ 210,9 milhões para US$ 236 milhões. Com o resultado, Bauru teve o 13º melhor desempenho na balança entre as 39 diretorias regionais do Ciesp.

Embora os números possam ser considerados positivos, o índice é fruto da queda nos valores exportados e importados pela região entre janeiro e setembro. Segundo Domingos Malandrino, diretor regional do Ciesp, além da crise econômica iniciada no final do ano passado, o câmbio desvalorizado também contribuiu para que a corrente de comércio exterior (soma das exportações e importações) da região encolhesse.

“Os mercados fortes, americano, europeu, japonês encolheram o volume de importação e o saldo só não foi pior porque o Brasil exporta muitas comoditties. A queda está quase toda concentrada em produtos manufaturados”.

A região de Bauru retraiu em 28,5% a remessa de produtos ao Exterior, em relação aos nove primeiros meses de 2008. Passou de US$ 486,1 milhões para US$ 347,7 milhões no acumulado até setembro de 2009, o que a colocou na 25ª posição do ranking sobre a participação paulista na pauta exportadora estadual.

A corrente de comércio exterior da região encolheu 39,7% nos primeiros nove meses de 2009, indo de US$ 761,3 milhões para US$ 459,4 milhões no acumulado até setembro deste ano. As importações tiveram queda de 59,4% - passaram de US$ 275,2 milhões, para US$ 111,7 milhões.

Perda cambial

Mas o dólar, a R$ 1,71, compromete ainda mais o desempenho das empresas brasileiras, inclusive as bauruenses. Isso porque, de acordo com Malandrino, a perda cambial acaba por forçar a região a exportar menos e importar mais materiais, inclusive para abastecer o mercado interno.

“No patamar em que o dólar está, o produto chinês fica de 40% a 50% mais barato do que o produto nacional. E as indústrias que estão retomando o processo de desenvolvimento estão importando parte do produto industrializado da China”, justifica, acrescentando que a opção por negociar com o mercado externo é feita principalmente pelo setor metalmecânico.

Para o diretor regional, as empresas que produzem peças automotivas e maquinário pesado, produtos de alto valor agregado, foram as que mais sofreram com a crise. E como a região possui muitas delas, a diretoria regional de Bauru acabou por apresentar desempenho pior do que cidades menores como Matão, Araraquara e Marília.

“Outras atividades que produzem mercadorias de menor valor agregado, como o setor de equipamentos para panificação, tiveram bons resultados neste ano, mas não compensaram as perdas dessas indústrias”, observa.

Conforme destaca o diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Luiz Miranda Simonelli, as cidades menores que tiveram melhor desempenho setorialmente possuem, de modo geral, agronegócio fortalecido, segmento que não sofreu tanto com a crise como o setor de manufatura, que caracteriza a produção industrial da região de Bauru. “Geralmente, Bauru costuma ficar numa posição confortável no ranking das exportações do Estado. Mas a crise, de alguma maneira, modificou essa realidade e colocou regiões menores à frente da nossa”, comenta.

Para que o panorama atual não se torne mais problemático, o diretor regional afirma que o governo federal precisa adotar medidas preventivas que garantam a produção crescente da indústria nacional. “Com o dólar na casa de R$ 1,70, muita gente acaba substituindo os produtos nacionais por importados e a indústria deixa de importar, vender para o mercado interno e, consequentemente, de produzir” lamenta.

Se não houver, a tendência é que haja uma substituição das exportações por importações, o que, segundo Simonelli, representa um risco para a indústria local. “Algumas medidas, como tributar o ingresso do capital estrangeiro, mas não foram suficientes. Será preciso tomar medidas complementares para proteger a indústria nacional contra a desvalorização cambial”, conclui.

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Volume de vendas

O município de Bauru concentrou 27,3% das vendas externas regionais, com destaque para produtos de ferro e aço (US$ 39,6 milhões), carnes e subprodutos bovinos (US$ 18,7 milhões) e motores elétricos (US$ 14,3 milhões). Os principais destinos das exportações de Bauru foram a Bolívia (38,8% do total exportado), Filipinas (5,9%) e o Paraguai (5,0%).

A cidade respondeu por 35,3% das importações regionais, principalmente na aquisição de chumbo (US$ 13,1 milhões), de máquinas e aparelhos (US$ 3 milhões) e papéis e equipamentos para encadernação (US$ 3 milhões). O México (16,4%), China (16,2%) e os Estados Unidos (12,3%) foram as principais origens dos produtos importados por Bauru.

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