Política

CPI convoca médicos da radioterapia

Monise Centurion
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Depois de uma tentativa frustrada de ouvir na terça-feira depoimentos dos responsáveis pela radioterapia no Hospital Manuel de Abreu, em Bauru, e do Hospital das Clínicas, em Marília, por meio de convite, integrantes da CPI do Erro Médico, da Assembléia Legislativa do Estado, decidiram convocá-los oficialmente. A informação é do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).

“Como eles não vieram, vamos convocá-los. Agora não poderão faltar”, afirma o parlamentar, que também integra a CPI. A comissão pretende ouvir, na próxima quarta-feira, os físicos e os médicos responsáveis pelos serviços de radioterapia dos hospitais da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos, do Manuel de Abreu, administrado pelo Hospital Estadual (HE) de Bauru, e Hospital das Clínicas de Marília.

Para a sessão de terça-feira, haviam sido convidados o radioterapeuta Cazuo Arakawa, responsável técnico da Quantum Assessoria em Física Médica Ltda, e o físico Bruno Tiago Rossi, supervisor de radioterapia da mesma empresa. Entretanto, de acordo com a asessoria do HE, o ofício encaminhado pela Assembléia Legislativa não chegou às mãos dos dois, o que impossibilitou a presença da dupla em São Paulo.

Os membros da comissão ouviram anteontem o depoimento do responsável pelo Serviço de Radioterapia da Benificência Portuguesa de Santos, Joaquim Gomes de Pinho. Sócio da Unidade de Radioterapia e Megavoltagen de Santos (Unirad), empresa arrendatária dos serviços de radioterapia do hospital santista, Pinho reconheceu várias irregularidades praticadas na unidade por seu sócio Hilário Cagnacci.

Os equipamentos da unidade de radioterapia do hospital santista apresentavam rendimento de até 25,6 centigreis por minuto (cgy/min). Isto implica que, para ter eficácia, o tratamento radioterápico nesses equipamentos exigia que o paciente permanecesse mais tempo exposto a irradiação, imóvel e com riscos de sofrer queimaduras e outras lesões. O foco das investigações deve se concentrar nos casos de irregularidades constatados nos serviços de radioterapia no Estado de São Paulo.

Dosagem correta

No início deste mês, a equipe de radioterapia do Hospital Estadual procurou a reportagem do Jornal da Cidade para explicar o funcionamento da radioterapia e também informar que o tratamento no Hospital Manoel de Abreu foi realizado de maneira eficiente. O JC havia publicado na edição do dia 29 de outubro reportagem informando os andamentos da comissão, que apura possíveis queimaduras em pacientes de radioterapia de Bauru e Santos, entre outros pontos.

Os depoimentos prestados davam conta que a cápsula de cobalto utilizada no tratamento da radioterapia do Hospital Manoel de Abreu, em Bauru, tinha a metade da dose exigida por resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quando foi inutilizada. Mesmo constatada a baixa potência do material um ano antes, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) emitiu autorização para o funcionamento do equipamento até 2010.

O membros da equipe dizem que é incorreto afirmar que a dosagem de radioterapia era pela metade. “A dose, a distribuição de dose e a técnica foram administradas nos tratamentos dos pacientes de acordo com a determinação do médico radioterapeuta”, destacou, na ocasião, o físico médico Bruno Tiago Rossi, especialista em física da radioterapia e supervisor de radioproteção.

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